Semana será decisiva para o fim da disputa do mercado do algodão
A próxima semana será decisiva na disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo fim dos subsídios norte-americanos à produção de algodão. Representantes dos dois governos e da Organização Mundial do Comércio terão reuniões na segunda-feira (2) e na quarta (4), em Genebra, para definir se os Estados Unidos cortarão a ajuda financeira dada aos seus agricultores, como determinado pela OMC, ou se o Brasil aplicará retaliações ao seu principal parceiro comercial. Segundo fontes diplomáticas, caso não haja consenso quanto a um prazo para a alteração da política agrícola norte-americana e percentuais de corte dos subsídios, devem ser negociadas as áreas para retaliação pelo descumprimento da decisão da OMC. Os produtores brasileiros de algodão preferem a primeira opção. Para nós, o que é mais importante é uma retirada ou diminuição substancial dos subsídios, frisa o presidente da Associação Brasileira de Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha. A entidade bancou o processo na OMC até 2005. Se os Estados Unidos, que são o maior exportador de algodão do mundo, não tivessem os subsídios que têm, haveria um espaço maior para aumento de preços e a gente estaria vendendo nosso algodão a um preço muito mais alto e com mais competitividade, talvez, que o próprio norte-americano, pondera. Ele estima que as exportações brasileiras de algodão poderiam crescer de 20% a 30% caso houvesse redução significativa dos subsídios norte-americanos. E uma das maiores conquistas poderia ser um aumento na participação no mercado chinês, maior importador de algodão do mundo.