ECONOMIA
Terça-feira, 06 de Fevereiro de 2007, 20h:40
A
A
REGIÃO NORTE
Sem trégua, as chuvas prejudicam as lavouras
Produtores já estão em estado de alerta para evitar grandes perdas
FRANCIELE MEZADRI MARCO AURÉLIO JR
Da Reportagem/Sorriso e Sinop
O período de chuvas contínuas que se estendeu nos últimos dias está afetando a colheita de soja da região Norte de Mato Grosso. Os sindicatos rurais de Sorriso e Sinop já estão em alerta para evitar grandes perdas da oleaginosa. De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Nélson Luiz Piccoli, os últimos dias de chuvas intensas já começaram a contabilizar prejuízos para produtores da região. Em Sorriso a chuva já dura 17 dias, praticamente sem trégua e a situação é a mesma em toda a região. Da localidade do Posto Gil para cá o problema está acontecendo na mesma proporção, conta ele. Com aproximadamente 10% da área colhida e com mais 10% em fase de colheita, Sorriso começou a contabilizar perdas nos últimos três dias e, segundo Piccoli, cerca de 2% da área de soja já apresenta índices variados de prejuízo. A cada dia que passa o percentual de perda aumenta porque estamos perdendo o ponto de colheita, alerta, lembrando que ainda é cedo para contabilizar prejuízos individuais, mas a preocupação com a chuva tem sido unânime entre os sojicultores da região. Além das perdas ocasionadas pela chuva que está impossibilitando a colheita, a soja também está sendo atingida pelas doenças fúngicas. A região, que permanecia livre da ferrugem asiática nesta safra, já começou a apresentar focos da doença na maioria das propriedades. SINOP - Em Sinop, o presidente do Sindicato Rural, Antônio Galvan, diz que nesta época era para os produtores terem colhidos até 20% da produção, mas ele acredita nem 10% da soja foi retirada do campo ainda. O sindicalista espera que as chuvas cessem nos próximos dias, caso contrário, as perdas começarão a ultrapassar 8% e ficarão acima do que é permitido pelas tradings multinacionais que compram os grãos. Eu mesmo já tive soja apodrecendo. Não foi muita, mas a situação é preocupante, diz Galvan. Nas tradings o produto ardido ainda está no limite, mas o gerente de compras de um multinacional instalada em Sinop, Marlon Vinícius também faz o alerta. Ainda não estamos recebendo muita soja ardida, mas se as chuvas continuarem, a situação pode ficar complicada, principalmente nas lavouras que já foram dessecadas, ressalta. Segundo Galvan, não há previsão para o término das chuvas, que em Sinop, são constantes há 13 dias. A meteorologia não dá nenhuma previsão confiável. Eu olho aqueles mapas, mas eles sempre mudam. Ninguém consegue colher nada, reclama. Galvan também destaca que o atraso na colheita já começa a atrapalhar os agricultores que pretendem plantar o milho safrinha. A gente planta o milho até 15 ou 20 de fevereiro, mas se não colhermos, não teremos como plantar, explica. Enquanto as chuvas não cessam por longo prazo, os sindicatos orientam o produtor que tiver soja dessecada a aproveitar os poucos momentos de sol e colherem o mais rápido possível e que também fiquem em alerta para o aparecimento da ferrugem asiática.