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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010, 19h:28

SETEMBRO

Seca traz inflação à mesa

Alta de maior peso no bolso vem do feijão. O quilo está 100% mais caro. Frutas e verduras desaparecem do mercado cuiabano

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O mês de setembro está sendo marcado por uma forte estiagem sobre o Estado. A seca que incomoda a população vai pesar ainda mais no bolso, não apenas no quesito consumo de energia elétrica, como principalmente, no alimentação. Feijão, frutas e verduras perderam a qualidade e estão a cada dia mais caros. Nas três primeiras semanas do mês, o feijão acumula alta de 100%, seguido da banana terra, 66% e da banana maçã, 60%. Alimento indispensável na mesa do consumidor brasileiro, o feijão já está com oferta reduzida no Mercado do Porto, principal centro de comercialização de hortifrutigranjeiros da Baixada Cuiabana. Mais: os preços dispararam e já acumulam alta de 100% nas últimas três semanas. O quilo que estava sendo vendido no começo do mês ao preço de R$ 2,50, agora já está sendo encontrado por até R$ 5. Segundo o comerciante Rafael Benevides, a estiagem é a principal explicação para escassez e consequente majoração dos preços. Ele conta que a saca de feijão estava cotada a R$ 120 e, hoje, o preço já chega a R$ 220, alta de 83%. “A oferta caiu em mais da metade, por isso os preços subiram”. Mesmo com a alta, os comerciantes garantem que a população não substituiu o feijão por outro grão. “O consumo caiu, mas nossos fregueses sempre acabam levando o produto para a casa, mesmo pagando mais caro”. (Veja quadro ao lado) Segundo o Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe) o preço do feijão pode triplicar de preço nos próximos meses. “Essa valorização irá refletir no bolso do consumidor, que deverá pagar mais pelo quilo do grão nas prateleiras dos supermercados”, declarou o presidente do conselho de administração do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders. A forte valorização no preço do alimento, segundo a entidade, é motivada por vários fatores. Um deles é a diminuição da área plantada, devido ao desestímulo do governo federal que, no começo do ano, não comprou dos produtores todo o feijão que sobrou na safra passada. Assim, eles resolveram plantar menos, para não correr o risco de ter prejuízos. Fora isso, o clima não tem ajudado: “a seca no Nordeste e no interior de São Paulo e o excesso de chuva no sertão da Bahia, no último mês, comprometeram boa parte da safra nacional de feijão”, acrescenta o Ibrafe. HORTIFRUTIS – A falta de chuvas prejudica também o abastecimento e a qualidade das frutas, verduras e hortaliças comercializadas no Mercado do Porto. No local, a oferta desses produtos já está reduzida, refletindo alta nos preços para o consumidor. Segundo levantamento realizado ontem pelo Diário, em uma lista de 11 produtos hortifrutis pesquisados, todos apresentam alta. Couve, alface, berinjela, pimentão, alho, banana da terra, banana maçã, mamão, maracujá, laranja e abacaxi tiveram variações entre 23% e 66%. A maior alta foi verificada no preço da banana da terra (R$ 5/kg) e, a menor, no valor do mamão, que está sendo vendido por R$ 2,70/kg. Alho, alface e couve tiveram alta de 25%, 33% e 36%, respectivamente. O pimentão subiu 40%, a banana maçã 60% e os demais produtos registraram alta de 50% nas últimas semanas. (Veja mais na página C2)

Edição EDIÇÃO 16969




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