ECONOMIA
Terça-feira, 15 de Maio de 2007, 20h:44
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STATUS/OIE
Recuperação até setembro
MT faz a lição de casa, por meio do levantamento das ações
de vigilância, vacinações, índices e operação na fronteira
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O setor pecuário mato-grossense aguarda ainda para este ano a liberação de Mato Grosso como área livre de febre aftosa com vacinação pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). Mato Grosso perdeu este status em setembro de 2005, após a descoberta de focos de aftosa em Mato Grosso do Sul e no Paraná. Estamos passando por auditorias e encaminhando periodicamente as documentações sobre as providências que estamos tomando para manter o controle sanitário do rebanho e recuperar o status de área livre com vacinação, diz o presidente do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado (Indea), Décio Coutinho. A decisão sobre a liberação deverá ser tomada por uma comissão científica da OIE. Segundo o coordenador da Área Pecuária da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Luís Carlos Meister, os índices de vacinação do rebanho em Mato Grosso são excelentes. O Estado vai bem em todas as auditorias e vem cumprindo bem o seu papel. O problema é que fazemos parte de um circuito pecuário, onde estão também Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e Paraná. Enquanto a situação não estiver sob controle em todos estes estados, não vamos recuperar o status. O gerente executivo do Fundo Emergencial de Combate à Febre Aftosa (Fefa), Antônio Carlos Carvalho, informou que o governo estadual está levantando todas as informações sobre vigilância, vacinações, índices, investimentos e operação na fronteira para encaminhar à OIE, visando uma avaliação do órgão. Acredito que até setembro poderemos recuperar o nosso status de área livre com vacinação, disse. Atualmente Mato Grosso exporta carne in natura e industrializada para 111 países dos mais diversos continentes, como Ásia, Oriente Médio e Europa. Mais que garantir o controle da aftosa em todo o rebanho, Mato Grosso quer credenciar todos os municípios para exportar carne. Vamos procurar mostrar que Mato Grosso está fazendo sua parte, está cumprindo com sua obrigação. Nós queremos participar de outros mercados para vender nossos produtos para qualquer país do mundo, afirma o presidente da Associação dos Criadores do Estado (Acrimat), Jorge Pires de Miranda. Atualmente, apenas 50% do Estado estão habilitados para exportar carne bovina para União Européia (UE). HISTÓRICO - Detentor do maior rebanho bovino comercial do país, com cerca de 28 milhões de cabeças, Mato Grosso está há mais de 11 anos sem registrar focos de febre aftosa em seu rebanho. O último caso da doença foi identificado em 16 de janeiro de 96, no município de Terra Nova do Norte (675 quilômetros ao norte de Cuiabá). PREJUÍZOS - O gerente executivo do Fefa informou que a perda do status de área livre com vacinação trouxe prejuízos para Mato Grosso. Desde então, os pecuaristas estão proibidos de entrar com animais em pé para estados como Rondônia, Acre, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Pará, regiões que ainda mantêm o status perante à OIE. Para ingressar nesse mercado com o gado em pé, é preciso fazer sorologia, e deixar o animal em observação por um período de 40 dias (quarentena). Isso muitas vezes chega a demorar até mais de seis meses. Antônio Carlos conta que um produtor está tentando participar de um leilão há mais de 90 dias, no Acre, mas não consegue sair com os animais de Mato Grosso. Outro produtor que transportava seu gado para Rondônia ficou com os animais retidos em Vilhena por causa da burocracia dos órgãos de defesa.