ECONOMIA
Sábado, 27 de Maio de 2006, 14h:33
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MERCADO DA SOJA
Reação de 20% na saca chega tarde
A alta chega tarde para esta safra. A dobradinha mercado de commodities e dólar tinha de ter acontecido antes que a safra 05/06, tivesse sido comercializada
MARIANNA PERES
Da Editoria
A velha frase alegria de pobre dura pouco, quase pôde ser empregada no atual contexto da soja. Depois de freqüentes quedas no valor da saca puxada pela desvalorização do dólar registradas desde fevereiro deste ano, a commodity seguiu a reação do dólar desde o final de abril e completou nesta semana uma valorização de 20%, enquanto que no mesmo período, a moeda norte-americana, recuperou 14%. Apesar de atingir a melhor cotação desde fevereiro, poucos negócios foram registrados no Estado. Na última semana praticamente os produtores estiveram às voltas com as decisões que estavam para serem anunciadas em Brasília (o Plano Safra), de olho no desempenho do Prop (leilão de opção privada para a soja) e nos rumos da política econômica (dólar). Tivemos um mercado agitado, mas pouco aproveitado, explica o analista de mercado da AgRural, em Cuiabá, Seneri Paludo. Outro fator que retardou a entrada dos produtores no mercado, como observa o analista, foi a alta repentina do dólar a R$ 2,40. Teve gente que preferiu o dia seguinte a esta alta para vender o grão, mas a alta não se sustentou, completa. Paludo destaca ainda, que a recuperação das cotações da oleaginosa - também um reflexo de alterações positivas no mercado internacional - não foram aproveitadas por um outro motivo: A alta chega tarde para esta safra. A dobradinha mercado e dólar, tinha de ter acontecido lá atrás, antes que a safra 05/06 tivesse sido comercializada. Mas por outro lado, toda esta agitação de mercado pede a atenção do produtor que está planejando plantar a nova safra. Pelos próximos 90 dias, teremos um mercado nervoso e suscetível a picos. Podemos ter boas oportunidades de negócios futuros daqui para frente, alerta o analista. REAÇÃO - Na última quarta-feira, quando o dólar bateu R$ 2,40 a melhor cotação desde setembro do ano passado a saca de soja passou de uma média de R$ 18, para R$ 21, preço em Cuiabá. Vínhamos de uma cotação em queda livre, agravada durante a segunda quinzena de abril, pelo pico de safra. Se compararmos os preços de Sorriso (R$ 15,30) com a cotação do último dia 24 (R$ 19), a alta chega a 24%. Seguindo o dólar, a saca de 60 quilos passou de R$ 18,70 para R$ 22,50, em Rondonópolis (210 quilômetros ao Sul de Cuiabá), praça com os melhores preços do Estado. Sorriso (470 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá), é o maior produtor de soja do mundo, com mais de 600 mil hectares (ha) cultivados. EXPECTATIVAS - O incremento da saca acima do que foi para o dólar, é resultado de uma reação positiva observa até a semana passada - das commodities metálicas (ouro), energéticas (petróleo) e agrícolas (soja). Havia interesse do mercado nestes investimentos, porém, há alguns dias, iniciou-se uma pequena inversão, pois os interesses passaram a ser canalizados para papéis do tesouro norte-americano (treasuries), em função da sinalização de alta da taxa de juros naquele país, explica Paludo. Ele completa dizendo que enquanto houver esta expectativa de alta da taxa de juros daquele país, as commodities podem perder fôlego pela redução no interesse dos investidores de olho em aplicações seguras, como são nos Estados Unidos. Desde que as especulações a respeito da economia norte-americana ganharam mais força, exatamente há duas semanas, a cotação da soja na Bolsa de Chicago (CBOT) caiu 6%. Os contratos para julho passaram de US$ 6,20 o bushel para US$ 5,82 o bushel, porém, os preços internacionais permanecem atrativos. Bushel é um padrão de medida norte-americano, equivalente a 27,2142 quilos. Em função de muita especulação e da previsão de muito nervosismo nos próximos 60 dias ou 90 dias, o analistas frisa que o comportamento do mercado será ditado pelo clima. A safra norte-americana de soja já ocupa cerca de 75% da área plantada e a de milho está na reta final. Qualquer sinalização de desenvolvimento positivo, ou de problemas nas lavouras, serão a chave para as reações do mercado. Por isso o momento requer muita atenção. Paludo lembra que no mesmo período no ano passado, a atenção de clientes da AgRural rendeu bons negócios. Entre junho e julho de 2005 tivemos produtores que conseguiram aproveitar picos durante o mercado de clima, para firmar contratos para entrega em maio de 2006, a US$ 7,40. Olha a diferença deste valor em milhões de toneladas, com os preços atuais, comemora. Paludo insiste: Se a reação veio tarde para a safra 05/06, ela chega em um momento importante para quem prepara ou pensa em plantar 06/07, pois abre brechas para altas repentinas. SAFRA ATUAL - Mesmo com preços sem garantia de rentabilidade, os produtores tiveram de comercializar a safra para fazer caixa e quitar compromissos. Com esta obrigação de vender, cerca de 72% da safra estadual já foi negociada, percentual condizente com a média histórica mato-grossense. A AgRural estima que 11 milhões de toneladas (t) estão comercializadas e outros 4,3 milhões/t a comercializar, seja nas mãos do produtor ou dentro das traddings a espera de fixação de preços. NOVA SAFRA De acordo com o analista a nova safra mato-grossense é uma definição. Somente a partir de agosto é que teremos uma noção do vai acontecer. De qualquer forma, a movimentação de insumos, neste momento é nula, diferente desta mesma época do ano passado. Ele afirma que de qualquer maneira a redução será confirmada, mas não sabemos o percentual.