ECONOMIA
Sexta-feira, 27 de Março de 2009, 19h:57
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VEÍCULOS
Queda se confirma em 40%
Usados sofrem com a pressão da isenção do IPI para modelos zero-km. Saldo do trimestre é o fechamento de pelo menos 5 garagens em Cuiabá
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A venda de veículos usados nas garagens de Cuiabá acumula queda de 40% nos três meses de vigência da queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros zero de até mil cilindradas. A Associação dos Revendedores de Veículos do Estado de Mato Grosso (Agenciauto) diz que o mercado já começou a reagir, mas os garagistas reclamam das dificuldades para a liberação dos financiamentos dos clientes. Em muitos casos o cadastro é aprovado, mas a financeira não libera [o financiamento]. Por conta disto, estamos com as vendas paradas, diz o vendedor Paulo Melo. Segundo Antônio César Duarte, da Central Veículos, os preços dos automóveis melhoraram, mas os clientes desapareceram. O mercado está travado, há pouca procura, muita oferta e dificuldades para a aprovação de crédito. Os bancos fecharam as portas para nós. Ele conta que a situação está difícil para as garagens e, por isso, defende a volta da cobrança do IPI. Se o imposto não voltar, muitas empresas vão fechar as portas nos próximos dias. Anderson Vinhal, da Sedan Automóveis, diz que as dificuldades acabam levando muitos clientes a desistir de comprar um carro. O dinheiro existe, mas nunca chega a quem precisa. Estamos com dificuldades para fechar negócios só por causa deste detalhe. Ele afirma que a paradeira é geral e, como reflexo direto da crise, as vendas chegam ao recuo de até 50% nos últimos três meses. Se alguém fala que a situação melhorou no mês de março, para nós foi diferente. Só acreditamos que o mercado vai reagir quando o IPI voltar. Por enquanto, as vendas estão paradas e os poucos compradores que aparecem em nossa loja não conseguem a aprovação do crédito, frisa Anderson. O diretor da Agenciauto, Ricardo Laub, explica que as dificuldades para a aprovação do crédito vão desde as altas taxas de juros até à exigência de uma entrada e prazo mais curto nos financiamentos, normalmente, até 36 meses, ao invés dos 60 meses, adotado pelo mercado até o estouro da crise mundial financeira, em setembro de 2008. Por conta de toda esta situação, pelo menos cinco garagens já fecharam as portas e outras correm o risco de paralisar as atividades, caso a cobrança do IPI não retorne a partir de 1° de abril. A verdade é que as empresas não estão conseguindo absorver a medida porque estão tendo prejuízos com os preços dos carros, uma vez que os preços despencaram. Além disso, não estão conseguindo vender, diz o empresário César Duarte. No final do ano passado as vendas em algumas lojas chegaram a cair 50%, obrigando as empresas a liquidar os estoques para fazer caixa. Outra medida foi reduzir os preços dos automóveis. De acordo com os vendedores, os preços nunca estiveram tão desvalorizados como agora. Houve redução de até 40% nos preços dos carros comprados no último trimestre de 2008. Um carro que custava R$ 10 mil chegou a ser ofertado por até R$ 6 mil. Mesmo assim, as garagens não estão conseguindo vender. PERDAS - Os carros que sofreram as maiores desvalorizações foram os seminovos. As pessoas preferem pagar um pouquinho mais pela diferença e sair com um novo. Na avaliação dos garagistas, o mercado melhorou para os carros mais antigos, anos 2000 a 2002. Esses carros estão com preços diferenciados em relação aos novos, por isso os clientes que procuram um usado acabam pegando um automóvel mais velho para ter uma economia no final.