ECONOMIA
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009, 20h:40
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Produtores comemoram maior oferta de crédito
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Uma das maiores tradings do mercado, a norte-americana Cargill, anunciou na última terça-feira que está disposta a elevar em até 37,5% sua disponibilidade de recursos para a próxima safra, que começa a ser plantada a partir da segunda quinzena de setembro em Mato Grosso. A medida eleva o fluxo de financiamento para o setor rural em R$ 150 milhões, com os recursos saltando dos atuais R$ 400 milhões para R$ 550 milhões, na safra 2009/10. Os produtores estaduais comemoraram o anúncio no momento em que planejam o próximo plantio. A notícia é bastante alvissareira para o setor rural e ficamos um pouco mais tranqüilos em relação à nova safra, disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira. Segundo ele, a Cargill é uma das melhores empresas que se tem para trabalhar. A expansão dela no Estado é bem vinda e só vem a nos favorecer. Acho que o aumento da participação nos financiamentos rurais é muito importante para os produtores, que estão sem dinheiro para comprar os insumos. Silveira informou que no ano passado as tradings financiaram R$ 1,7 bilhão aos produtores de Mato Grosso. Desse total, 23,53% foram liberados pela Cargill. A Cargill é uma empresa sólida no mercado e tem uma carteira fidelizada de clientes. Os produtores têm um respeito muito grande e uma forte relação com a empresa. Acredito que o aumento da participação vai ajudar a minimizar o problema da falta de crédito nesta safra, analisa. Para o consultor econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Amado de Oliveira Filho, o anúncio da oferta de mais crédito para financiar a safra é sempre bem vindo para o produtor, especialmente no momento em que as grandes instituições financeiras praticamente fecharam as portas ao setor. É interessante observar também que a Cargill faz isso [disponibiliza mais dinheiro] não só para ajudar o produtor, mas por uma questão técnica e de interesse próprio, uma vez que a trading possui um grande terminal de embarque de soja em Santarém (PA), na ponta da BR-163. Como existe a possibilidade de o asfalto chegar até Santarém em curto prazo, é natural também que a Cargil esteja interessada em financiar o produtor para ter soja para embarque, analisa. Oliveira Filho defende a participação de outras empresas no financiamento da safra agrícola. Queremos que as demais empresas também aumentem sua participação. Hoje os produtores estão nas mãos de seis ou sete empresas. Se apenas uma delas aumentar [a participação nos financiamentos], temos o início de uma concentração no mercado e perdemos o poder de negociação. Não é bom ficar nas mãos de uma empresa só. Temos que brigar também para que as outras entrem com mais firmeza no mercado, disse o economista. JUROS - Segundo o diretor do Complexo Soja da Cargill, José Luiz Glaser, a taxa de juros que será aplicada nos financiamentos deve ficar nos mesmos níveis do ano passado. O executivo lembrou que os clientes da Cargill terão prioridade no acesso ao crédito, mas não descartou a possibilidade de conceder crédito para produtores que ainda não são clientes e que eram atendidos por outras empresas. "Trabalhamos com cerca de 15 mil produtores, sendo que quase 2 mil recebem financiamento", explica Glaser. Mesmo com as limitações, o executivo considera que o produtor conseguirá recursos para plantar a próxima safra, incentivados pela demanda e pelos preços que estão sendo adotados. Sem detalhar as taxas de juros que deverão ser adotadas, o que o mercado espera é uma reversão na tendência de alta dos juros, pós-crise mundial. A escassez de dinheiro elevou o custo dos financiamentos. Como já explicou o presidente da Famato, Rui Ottoni Prado. A nova temporada agrícola de Mato Grosso vai exigir investimentos de R$ 15 bilhões e 60% deste orçamento, algo em torno de R$ 9 bilhões, tradicionalmente, são captados nas tradings. Os outros 40% restantes, tem origem no crédito rural (20%) e no capital próprio do produtor (20%). O desafio neste momento é viabilizar os recursos necessários até julho. Ele completa dizendo que na safra passada a oscilação da taxa foi de 12% a 14%, agora, com o aumento de dois a três pontos percentuais, vai de 15% a 17%, o que é impraticável. (Colaborou Marianna Peres)