Problemas atingem novo estágio em MT e criam um segundo momento
Depois do primeiro momento de crise que foram os anúncios de suspensão dos abates por vários frigoríficos, que impactaram diretamente nas escalas de abate, produção e cotação da arroba, os problemas avançam para um segundo momento: mercado inseguro. O pecuarista não tem condições de comercializar o seu rebanho com segurança. O primeiro momento foi a suspensão, agora, se desdobra sobre o pecuarista, analisa o superintendente do Imea, Seneri Paludo. Como ele explica, criou-se uma crise de confiança, que é o que pode existir de pior no comércio. O preço da arroba em queda perdeu a base real de referência e bagunça o mercado, completa o analista. Ele lembra ainda que em nenhum momento desde dezembro de 2003, a arroba do boi, em Mato Grosso, acumula alta acima das variações do custo de produção. O presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Mário Cândia, destaca que toda a instabilidade cria o comportamento natural de reter o boi no pasto. Como se não bastasse a perda de referência de preços, os fechamentos de unidades criaram buracos no Estado. Ou seja, aumenta o frete para a gente transportar e ao menos tempo a arroba vale menos, são duas perdas. Ele conta que há pecuarista que atualmente tenha de rodar mais de 500 quilômetros no Estádio para abater o gado. Num trecho de Barra do Garças a Vila Rica, haviam quatro frigoríficos, agora não tem nenhum. (MP)