ECONOMIA
Sábado, 13 de Setembro de 2008, 09h:46
A
A
NEMATÓIDES
Praga e seu manejo voltam a ser discutidos na região sul de MT
ANELIZE MORENO
Da Editoria/Rondonópolis
Os nematóides são considerados a segunda praga que traz mais prejuízos à cultura da soja nos municípios da região sul do Estado, atrás apenas da ferrugem asiática. Nas lavouras de algodão e milho, o cenário é ainda pior, com os nematóides sendo os principais causadores de perdas. O alerta veio do presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Elton Hammer, durante o segundo circuito de palestras da entidade, realizado em Rondonópolis na semana passada. Segundo ele, na região norte de Mato Grosso os nematóides chegam a superar a ferrugem asiática quando o assunto são as perdas em função das pragas. A situação é preocupante porque a região concentra mais ou menos 40% da área plantada com a oleaginosa no Estado. Hammer calcula que os sojicultores mato-grossenses perdem em média sete sacas por hectare em função deste tipo de parasita, mas destaca que a quantidade varia principalmente em função da infestação da praga na lavoura. Os gastos com o controle de nematóides, segundo Hammer, são difíceis de mensurar. Ele explica que o controle químico é pouco utilizado, em geral, devido aos custos dos chamados nematicidas (produtos químicos usados para matar os nematóides). Por isso, a principal estratégia adotada no controle da praga é a rotação de cultura e o uso de variedades resistentes. Não dá para calcular qual é o custo direto com o controle do conjunto de nematóides das lavouras, diz. O pesquisador Waldir Pereira Dias, da Embrapa/Soja, comenta que, além do preço dos nematicidas, a melhor alternativa sempre é tentar resolver os problemas das lavouras sem o uso de químicos. Na ferrugem da soja usamos fungicidas porque ainda não existe outra opção viável, mas esperamos que em um futuro próximo os agroquímicos possam ser substituídos por outras formas de controle da doença, compara, lembrando que no caso da ferrugem o Vazio Sanitário já vem sendo adotado de forma complementar. O pesquisador Mário Inomoto, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), complementa que com o tempo a tendência é o efeito dos nematicidas nas lavouras diminuir. Além disso, não tem capacidade de reduzir efetivamente a população deste tipo de parasita nas culturas. Para ele, os químicos são válidos somente dentro de um manejo que envolva outras técnicas, nunca de forma isolada. Senão, os nematicidas terão validade de no máximo dois anos, assevera. De acordo com a pesquisadora Neucimara Ribeiro, da Aprosmat, os químicos não são capazes de controlar a população de nematóides porque só resolvem o problema no momento em que são aplicados, mas não são capazes, por exemplo, de acabar com os ovos do parasita. Por isso, o efeito residual dos produtos é curto.