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ECONOMIA
Quinta-feira, 30 de Julho de 2015, 20h:05

ALTA DA SELIC

Política está inversa

Para representantes da indústria e do comércio de MT, avanço dos juros não combate inflação e trava economia

MARIANNA PERES
Da Editoria
“É uma estupidez dos economistas do governo federal achar que ao aumentar a taxa básica de juros a inflação será combatida”, dispara o presidente do Sindicato do Comércio de Tecidos, Confecções e Afins do Estado de Mato Grosso (Sincotec) e vice-presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomercio/MT), Roberto Peron. A crítica veio após o Comitê de Política Monetária (Copom) reajustar a taxa básica de juros, a Selic, para 14,25% ao ano, na reunião da última quarta-feira. A insatisfação também foi manifestada pelo presidente da Federação das Indústrias no Estado (Fiemt), Jandir Milan. “Não consigo entender como o Brasil sempre faz tudo ao contrário. Ao invés de incentivar, trava a produção”. Como destaca Peron, “O governo federal aplica uma política inversa, porque nenhum país cresce com juros nesse nível. Quem vai se aventurar a investir num cenário desses?”, indaga. Ao aumentar os juros, a União acaba desestimulando o consumo duas vezes. “Na primeira porque torna o crédito mais caro e na segunda porque promove o desemprego e quem perde seu posto de trabalho para de consumir”, frisa. A elevação da Selic, que é a taxa básica de juros da economia brasileira – referência de juros – só piora o cenário nacional porque promove a recessão, o desemprego, inibe investimentos e não combate a inflação. “Aumentar a Selic como o Copom vem fazendo há meses é um crime contra a economia, é querer frear a economia na marra e tratar a questão com rédea curta. Quem tem de regular o mercado é o próprio mercado e não os juros. Bancos são para fomentar e não para especular e toda essa alta consecutiva da Selic está levando o país para o caos. O empresário tem de ter muita cautela para não quebrar e o consumidor trazer todos os gastos para a ponta do lápis porque qualquer imprevisto pode transformar uma prestação, uma dívida não quitada, em algo impagável porque na praça nos deparamos com juros de 300%, 250% ao ano”. Para Peron a saída é justamente o contrário do que vem sendo feito, ao invés de restringir, ofertar crédito para criar oportunidades de investimentos e geração de renda. “Sem oferta de dinheiro, não há capital de giro para as empresas e nem condições para o consumo. Nesse atual cenário o endividamento, tanto de empresas como de pessoas físicas, só aumenta”. Milan frisa que essa tentativa de controlar a inflação “na marra”, só tem prejudicado a produção nacional. “Ninguém gasta, ninguém investe e a indústria trava. Se eu tivesse de adotar uma política nesse momento eu fomentaria a indústria nacional, exatamente como fez a China há cerca de dois anos”. O presidente da Fiemt destaca ainda que o engessamento da economia não é a melhor forma de combater a inflação. “Já temos uma perspectiva de PIB negativa e que pode piorar na medida em que as demissões se tornarem mais significativas nos próximos meses”. Ele lamenta que a majoração da Selic chegue em um momento do ano no qual os empresários industriais se mobilizam para planejar suas estratégias de final de ano. “Infelizmente, a alta da Selic é decepcionante e drástica, já que o consumo é a melhor forma de se estimular a economia, ou seja, a geração de empregos e de renda”. Como ratifica Milan, a alta dos juros corta os investimentos. “Quem não investe, demite, e esse ciclo só piora o cenário. Não concordo com o direcionamento dessa política do governo federal focada na alta da taxa Selic”. Com o sétimo reajuste seguido, a Selic retornou ao nível de outubro de 2006, quando também estava em 14,25% ao ano.

Edição EDIÇÃO 16964




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