ECONOMIA
Sexta-feira, 30 de Março de 2012, 20h:12
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QUEBRA DE SAFRA
PIB R$ 1 bi mais pobre
De acordo com estimativas dos sojicultires de MT, perdas
nas lavouras vão impactar diretamente nos números de 2012
MARIANNA PERES
Da Editoria
O Produto Interno Bruto (PIB) da agricultura de Mato Grosso deverá encolher neste ano pelo menos R$ 1,3 bilhão como reflexo das perdas de produtividade nas lavouras de soja, rendimento este abocanhado especialmente pela ferrugem asiática. Para os sojicultores, a safra 2011/12 deverá fechar com perdas de produtividade entre 10% e 15%, percentuais que se confirmados anularão o efeito da expansão de área de cerca de 10% da temporada anterior para a atual. Em resumo, esta safra se caracteriza pelas perdas reais e localizadas. As máquinas colhem ainda os últimos hectares da safra, mas já é possível, como relatam os sojicultures, ter um balanço prévio deste ciclo, temporada que ficou aquém das expectativas e que deverá contabilizar cerca de 2 milhões de toneladas a menos. Se o número se confirmar, a safra corre risco de ser inferior ao volume recorde registrado em 2010/11, de 20,56 milhões de toneladas. Inicialmente, as estimativas apontavam para uma nova quebra de recorde de produção com a soja totalizando quase 22 milhões de toneladas em Mato Grosso. Gastamos 10% a mais para combater pragas e doenças lagartas e a ferrugem e vamos colher até 15% a menos. Pra mim, esta safra foi uma das piores dos últimos anos, resume o sojicultor de Sinop (503 quilômetros ao norte de Cuiabá) e representante da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Antônio Galván. Ele frisa que no norte do Estado a quebra está contabilizada em pelo menos 15%. Nesta temporada o percentual vai variar entre as regiões. De qualquer forma, sabemos que na porção leste o plantio tardio da soja amplia as chances de perdas. Por terem reaproveitado algumas áreas de pastagem degrada a situação se agrava porque investiram mais no plantio e poderão colher ainda menos do que no resto do Estado, prejuízo dobrado!, adverte. Mesmo sem números oficiais, Galvan explica que o impacto das perdas sobre a economia estadual é fácil de ser mensurado, considerando a estimativa de perdas e o valor atual da saca, em média entre R$ 43 e R$ 44. Todas as regiões do Estado foram seriamente afetadas pela ferrugem. O grão que a doença comeu não será contabilizado e sai diretamente do lucro final, era o dinheiro que ia de fato movimentar a cidade, o comércio e a prestação de serviços. Além da frustração pela produção final que não vai ser atingida, a atual temporada deixará como saldo um custo de produção que excede ao planejamento. Com a forte incidência da doença foi necessário lançar mão de aplicações adicionais de inseticidas e fungicidas. Ainda como explica, mesmo com os bons preços do mercado internacional para a saca, a quebra de produção atinge diretamente o excedente da oleaginosa que ficaria de fato nas mãos dos produtores e que em outras palavras seria o lucro de cada um. Salvo exceções, se dará bem o produtor que tiver plantado cedo e colhido cedo, ações que o livram do forte período de incidência da ferrugem. A ferrugem asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi que compromete o desenvolvimento das plantas e assim, afeta a produção dos grãos, reduzindo a produtividade. Conforme o presidente da Entidade, Carlos Fávaro, é certo que a produção estimada não será concretizada e que esta safra foi frustrante diante das expectativas que haviam sido criadas. SORRISO - O diretor financeiro da Aprosoja/MT, Nelson Piccoli, concorda com os números que indicam o tamanho da perda da safra de soja no Estado, mas destaca que a safra passada foi um recorde e que tudo que ficar abaixo daquele volume é considerado frustrante. Na sua avaliação sobre a performance da sojicultura, ele conta que há municípios com perdas consolidadas acima de 15% e outros com percentuais entre 8% e 10%. Para muitos produtores a colheita revelou uma produtividade menor, no entanto, ela ainda supera a média estadual de 52 sacas por hectares, mesmo ficando abaixo de resultados anteriores. Em Sorriso (470 quilômetros ao norte de Cuiabá), município que disponibiliza a maior área no mundo ao cultivo da soja, 600 mil hectares, Piccoli destaca que houve perdas, mas lembra que no ano passado foi o local que obteve a maior produtividade da temporada estadual. A tendência era de uma ótima safra, mas ela se confirmou como boa. Ao invés de um rendimento de 58 sacas por hectare, como em 2010/11, tivemos 54/55 sacas, volume acima da média estadual. Mesmo tentando manter um tom mais otimista, a perda financeira o preocupa, já que é um dinheiro que deixa de entrar no lucro do produtor e consequentemente, na economia local. A quebra de safra em Sorriso não deverá somar 10%, no entanto esse percentual no papel revela em uma conta rápida que deixamos de colher cerca de três milhões de sacas, volume que geraria R$ 120 milhões. Essa perda econômica é que não pode ser ignorada. (Mais na página C2)