ECONOMIA
Terça-feira, 18 de Julho de 2006, 19h:55
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FUSÃO
Perdigão recusa oferta da Sadia
A Perdigão recusou formalmente a oferta feita pela Sadia de compra da concorrente. A Previ, em nome de Sistel, Fapes, Real Grandeza, Previ-Banerj, Petros, Valia e Weg Participações, acionistas que juntos possuem 55,38% do capital da Perdigão, comunicou que a adesão à proposta foi rejeitada em reunião realizada anteontem entre eles. Os motivos da recusa foram o baixo valor oferecido -- R$ 27,88 por ação -- e o fato de a maneira como foi feita a proposta não se enquadrar no estatuto da companhia. O estatuto prevê que quem tem 20% das ações ou mais é obrigado a fazer uma oferta aos acionistas que representam os demais 80%. A oferta pública feita pela Sadia baseou-se nesse artigo, mas a Sadia não tem nenhuma ação da Perdigão, portanto esse procedimento não se aplica à Sadia, afirmou Nildemar Secches, presidente da Perdigão. Nossa empresa tem modelo de controle difuso e os mecanismos foram feitos para proteger os pequenos acionistas. O executivo acrescentou que as razões para a recusa da proposta se aplicam a qualquer empresa interessada em adquirir a Perdigão -- caso seja feita uma proposta maior, os acionistas eventualmente podem aceitar. A Perdigão informou ainda que, sendo assim, não fará um laudo para avaliação do valor das ações e nem convocará reunião de acionistas. Ontem, a empresa já havia afirmado que considerava o preço inferior ao que realmente valem as suas ações, mas a Sadia disse que não aceitaria uma contraproposta. Questionado se há possibilidade de a Sadia reclamar da decisão à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Secches disse que ela existe, mas tal questionamento é inútil porque a maior parte dos acionistas já recusou. O valor das ações da Perdigão pode superar R$ 30, segundo analistas de corretoras. O preço estava um pouco abaixo do esperado, avalia Alexandre Garcia, analista da Ágora Sênior, para quem o preço justo é de R$ 31,88. A Sadia poderia pagar mais, mas o preço não é injusto, diz Guilherme Marins, da Ativa, que aponta preço-alvo de R$ 30 para a empresa no fim deste ano. Para Garcia, os fatores negativos que influenciam a Perdigão -- a gripe aviária na Europa e a redução da liquidez nos mercados emergentes -- não têm caráter permanente e, por isso, devem ser relativizados. Já Marins destaca a compra de 51% da Batavo, terceira em laticínios no Brasil, pela Perdigão. O mercado ainda não precificou essa aquisição. PROPOSTA -- No final de semana, a Sadia anunciou que queria comprar a concorrente, em um negócio que poderia chegar a R$ 3,7 bilhões.