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Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

ECONOMIA
Terça-feira, 14 de Junho de 2011, 21h:01

CRISE NA PECUÁRIA

Para a Acrimat, proposta do Mataboi não atende necessidade

Frigorífico com dívida de R$ 20 mi em MT apresenta hoje seu plano em Rondonópolis

O frigorífico Mataboi protocolou no último dia 3, na Comarca de Araguari (MG), sua proposta de pagamento aos credores da recuperação judicial. A indicação do frigorífico Mataboi sugere pagamento dividido em dividida três grupos de credores: credores trabalhistas, fornecedores e demais credores. A estimativa é de que somente com pecuaristas mato-grossenses haja cerca de R$ 20 milhões em débito. A proposta aos pecuaristas com créditos até R$ 60 mil é de pagamento integral em quatro parcelas trimestrais de 25% do valor total deste grupo de credores. Neste caso, quem tem crédito acima dos R$ 60 mil, receberá após um período de carência de 12 meses, em 12 pagamentos trimestrais de 8,33% do crédito de cada credor. Para os credores pecuaristas, haverá uma proposta de aceleração de pagamento, onde será pago 4% das novas compras, como antecipação dos saldos vincendos, aos credores que voltarem a fornecer (conforme fórmula do plano). Pagamento com TR (taxa referencial) mais juros de 2% ao ano, quando o crédito for em reais e libor – 12 meses mais 2% ao ano, quando o crédito for em moeda estrangeira. “Essa proposta não tender às necessidades dos pecuaristas”, disse o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) Luciano Vacari. Ele ressalta que esse plano será apenas um ponto de partida para as negociações, “pois é muito longo e o pecuarista não pode continuar financiando a atividade econômica dos frigoríficos como vem acontece há diversos anos, onde a indústria usa o dinheiro do produtor para movimentar seu negócio”. Vacari alerta os credores para que “fiquem atentos e valorizem seu produto, que é a razão de toda cadeia da carne, pois sem boi não tem frigorífico e nem carne nas gôndolas dos supermercados”. Para discutir essa proposta uma reunião está marcada para hoje, às 9 horas, no auditório do Parque de Exposição de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá), com os executivos do Mataboi Andrei Cota e Thiago Bessa. “Os credores devem participar ativamente de todas as reuniões e ficarem atentos aos prazos do processo, pois só assim terão condições de se manifestarem com propriedade”, aconselhou o assessor jurídico da Acrimat, Armando Biancardini Candia. Ele ainda lembra que é importante que os pecuaristas entrem em contato com os sindicatos rurais e a Acrimat para receberem orientação de como proceder num processo judicial “que é longo e cheio entrelinhas”. CRISE - O anúncio do pedido de recuperação judicial do frigorífico Mataboi S/A foi feito no dia 29 de março de 2011, mas suspendeu as suas ações e o pagamento dos pecuaristas no dia 21 de março. O Mataboi é o frigorífico com o CNPJ mais antigo do Brasil, fundado em 1946 e com uma gestão familiar que não resistiu à falta de capital e entrou para o rol das recuperações judiciais com uma dívida que pode chegar a R$ 20 milhões só com os produtores de Mato Grosso. Além da planta de Rondonópolis, onde 300 funcionários foram demitidos, o Mataboi tem sua matriz em Araguari (MG) com 250 funcionários, em Três Lagoas (MS) com 500 funcionários e em Santa Fé de Goiás (GO) com cerca de 700 funcionários.

Edição EDIÇÃO 16959




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