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ECONOMIA
Sábado, 30 de Junho de 2012, 14h:28

SABOR REGIONAL

Negócio doce e lucrativo

Uma das receitas de doces mais simples, o brigadeiro recebeu ingrediente local, ganhou prêmio e é sucesso

MARIANNA PERES
Da Editoria
Um dia de tédio que mudou, para melhor, a vida da turismológa, Rosany Costa. Há menos de dois anos, ela estava desempregada e tentando preencher o tempo livre estudando para concursos públicos. Numa tarde decidiu fazer brigadeiros para presentear a família, como forma de espantar a monotonia e desde então, transformou aquela espécie de passatempo em um negócio rentável, saboroso e que hoje é uma empresa com sete colaboradores e que cresce a cada mês. O negócio evoluiu rápido porque Rosany partiu para o nicho de brigadeiro gourmet, a base de chocolate em barra, mas fez questão de dar um toque regional aos doces, diferencial que transformou sua receita de brigadeiro de pequi entre as dez melhores do Brasil, classificação certificada pela Nestlé no ano passado em comemoração aos seus 90 anos no país. “Todo mundo estava copiando as receitas de São Paulo. Eu comecei a procurar produtos da nossa região que pudessem casar com o sabor do brigadeiro. Fui à Casa do Artesão e ao Mercado do Porto. Desses testes nasceram seis receitas exclusivas e que graças a Deus fazem muito sucesso”, lembra. Além do pequi, fruto típico do cerrado, há os brigadeiros nas versões: farofa de banana, guaraná ralado, furrundu (doce de mamão verde), pixé (mistura de milho torrado e socado com açúcar e canela) e abóbora com coco queimado. Pequi é sabor preferido. Sem qualquer formação na área, a turismóloga pós-graduada brinca dizendo que nunca imaginou viver de brigadeiros, mas que adora o que faz e anuncia que novas receitas estão por vir, inclusive com licores da terra, cereais e frutas. Quando deu início à venda dos doces nas ruas, saia vendendo de porta em porta, principalmente, empresas. Depois do concurso que teve a final no Programa Hoje em Dia, da TV Record, em São Paulo, em março do ano passado, o brigadeiro de pequi bastante conhecido por muitos cuiabanos fregueses, ganhou visibilidade nacional, já que um dos prêmios era a publicação da receita nas embalagens de leite Moça, latas que ainda estão em circulação e podem ser facilmente encontradas nos supermercados de Cuiabá e Várzea Grande. Da venda porta-a-porta para espaços nos shoppings, 3 Américas e Goiabeiras, Rosany constituiu uma empresa, a Doce Brigadeiro, virou uma Microempreendora Individual (MEI), deixou a linha diária de produção – agora ela apenas testas novas receitas – contratou sete colaboradores e está à procura de um espaço para montar sua cozinha industrial, porque a casa onde mora não comporta mais o negócio. Neste intervalo – desde setembro de 2010 quando fez o presente para a família até agora - passou de 2 mil doces para 7 mil unidades avulsas apenas nos dois shoppings onde está a cerca de três meses, sem contar as inúmeras encomendas para festas. Sobre faturamento, Rosany não se sente confortável para falar, mas dá algumas dicas de quanto a criatividade e a determinação, podem fazer a diferença. “Na última empresa pela qual passei, eu tinha um salário de cerca de R$ 1,5 mil. Agora, eu já pago R$ 1,2 mil para uma funcionária”. Outra dica da viabilidade da Doce Brigadeiro é que Rosany já sabe que terá de deixar MEI por não se enquadrar mais na categoria que tem teto de faturamento bruto anual de até R$ 36 mil e o registro de apenas um funcionário. INVESTIMENTOS – A cuiabana Rosany conta que o investimento inicial foi apenas com os ingredientes e na medida em que vendia, aplicava em mais ingredientes. “Agora, além de um espaço próprio para a produção, penso em quiosques nos shoppings e até em uma loja de rua, tipo um café”. Os dois primeiros estão em fase de orçamento e ela acredita que não ficará menos que R$ 20 mil. “Não tenho pressa. São planos ainda. Estou engatinhando. Quando comecei nunca imaginava estar dentro de um shopping”. Por enquanto, os contratos de locação de espaço são provisórios, mas Rosany faz questão de manter a rusticidade e simplicidade da cultura local. Nos shoppings o brigadeiro avulso custa R$ 2 e o cento de qualquer sabor é R$ 150, valores diferenciados do mercado que embutem a exclusividade e a originalidade dos sabores, que atendem a um nicho do mercado. “Tenho clientes de todas as classes sociais”. Além da criatividade nos sabores, marca registrada da empresária, ela procurou desde o começo agregar mais valor ao produto por meio de embalagens. Até nisso, a cultura regional está presente. Doces em embalagens de miniviola de cocho e de marmitinhas envoltas em tecido de Chita, por exemplo, foram criadas por ela, executadas por artesãos da cidade e já ganharam o mundo. “Estou criando novas embalagens também”, avisa. Mesmo com planos de expansão, de aperfeiçoamento em São Paulo, novas receitas e embalagens, Rosany faz questão de dizer que não vai deixar de vender, pessoalmente, seus doces porta-a-porta, pelas principais ruas e avenidas de Cuiabá.

Edição EDIÇÃO 16962




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