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ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008, 22h:01

EFEITO MORALES

MT e YPFB fecham acordo

Após 54 dias de suspensão no fornecimento de gás natural, Mato Grosso e Bolívia selam entendimento sobre suprimento

MARIANNA PERES
Da Editoria
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, assinou ontem o contrato de compra e venda de gás natural com a Bolívia. O documento chegou ao Estado já com a assinatura do presidente da estatal boliviana do gás e petróleo, a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), Santos Ramírez, e ontem mesmo seguiu para publicação no Diário Oficial. A expectativa é de que o fornecimento de gás natural na versão veicular e industrial seja retomado no máximo até o final da próxima semana, pois a negociação consumada prevê o imediato suprimento assim que o contrato estiver publicado. O entendimento direto entre Mato Grosso e a Bolívia, ou seja, entre as duas estatais, coloca fim a quase dois meses de desabastecimento do produto. No texto atual, todos os custos adicionais para que o gás chegue ao Estado foram contabilizados na mesma minuta e, com isso, o preço final do milhão de BTU (medida britânica térmica) ficou em US$ 9,0969, o mesmo valor que a Bolívia recebe por outros contratos de exportação, como Petrobras e Argentina. “Mato Grosso remunera a Bolívia da mesma forma que os grandes mercados o fazem, por isso o Estado se torna um consumidor prioritário”, frisa o presidente da Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), Helny de Paula. Com relação aos volumes contratados, ele explicou que a Bolívia vai fornecer o que Mato Grosso necessitar. “Em média, consumimos cerca de 700 mil metros cúbicos ao mês, mas a YPFB tem capacidade de fornecer até 1 milhão/dia”. Questionado sobre o impacto do reajuste pelo milhão de BTU - que sozinho ficou na casa dos US$ 7 – 66% acima do valor anterior do gás de US$ 4,20 – ao consumidor final, o presidente da MT Gás adverte que o reajuste será inevitável, mesmo porque o gás é uma commodity regulada pelo dólar. “Não posso precisar hoje qual será o novo preço, mas posso assegurar que o metro cúbico na bomba deverá se igualar ao preço em vigor em Campo Grande, porque a MS Gás paga pelo milhão de BTU o mesmo valor que passaremos a pagar”. Caso se confirme a previsão de Helny, o metro cúbico em Cuiabá e Várzea Grande passará de R$ 1,59 para R$ 1,74, alta de 9,4%. EM MÃOS – O presidente da MT Gás foi até La Paz buscar o contrato e o trouxe em mãos para assinatura do governador. “Desde outubro a solução desta situação foi a prioridade exigida pelo governador e trazer o documento ‘debaixo do braço’ foi uma forma de acelerar a solução”. O secretário de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, reforçou que a assinatura do contrato selou os esforços de várias esferas do governo estadual. “O governador bateu duro no fim desta novela, pediu seriedade, negociou pessoalmente as condições e o resultado está aí agora. Esta semana que se encerra hoje foi decisiva para todos nós”. Ele completa que durante esta semana alguns detalhes técnicos e operacionais entre as duas partes estarão sendo discutidos. “Existem algumas formalidades para ser cumpridas, mas nada que frustre as expectativas”. Com relações às garantias de suprimento por parte dos bolivianos, Helny frisa que pela remuneração que o contrato vai gerar à Receita boliviana, e pelo pouco volume demandado pelo Estado, “não há motivos para novas interrupções”. Nadaf lembrou que Mato Grosso tomou todos os cuidados documentais e jurídicos para o contrato e que por isso mesmo ficou admitida a publicação no DOE. Ainda sobre as formalidades, Helny contou que na segunda-feira a MT Gás vai encaminhar, via Sedex, as cópias assinadas pelo governador, assim como a publicação do Diário Oficial.

Edição EDIÇÃO 16968




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