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ECONOMIA
Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007, 20h:10

Ministro admite que acordo teve componente geopolítico

LEONARDO GOES
Agência Estado - Brasília
O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, admitiu ontem que o acordo fechado com a Bolívia com relação ao preço do gás, importado pelo Brasil, teve um componente geopolítico. "Tínhamos que achar uma fórmula. É uma questão geopolítica para a qual havia uma orientação. A Bolívia é o país que tem a maior fronteira com o Brasil e não seria interessante que houvesse problemas naquele país", argumentou. O acordo fechado prevê que o Brasil pagará à Bolívia um adicional pelos componentes nobres embutidos no gás, no que superar o piso calorífico de 8.900 kcal por metro cúbico. Acima deste limite, o pagamento adicional seguirá a cotação internacional dos componentes nobres, na proporção em que estiverem presentes no gás. Esses componentes nobres que estão presentes no gás são o etano, usado na fabricação de plástico, o propano e o butano, que formam o gás liquefeito de petróleo, conhecido como gás de cozinha, e a gasolina natural, que é usada como matéria prima na indústria petroquímica. Rondeau destacou que não existe acordos similares a esse em outros países porque, normalmente, o país que vende o gás tem uma estrutura de plantas industriais para separar esses componentes mais nobres e vender apenas o metano, que é suficiente para atender a demanda de combustíveis em termelétricas e na indústria. E esse não é o caso da Bolívia, que não dispõe desse tipo de estrutura. Rondeau reiterou que essa mudança é feita por meio de um aditivo ao contrato entre Brasil e Bolívia e garantiu que isso não representa uma quebra de contrato. Ele também admitiu que haverá sempre um adicional calorífico na compra de gás da Bolívia, uma vez que o contrato prevê um nível calorífico mínimo de 9.200 kcal por m³, superior portando ao piso de 8.900, a partir de qual é considerado o adicional.

Edição EDIÇÃO 16968




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