ECONOMIA
Sábado, 03 de Junho de 2006, 12h:54
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Itamaraty vai defender, se preciso
A vice-cônsul do Brasil em Santa Cruz de la Sierra, Patrícia Ribeiro, vê exagero nos boatos sobre o teor da reforma agrária proposta pelo presidente boliviano Evo Morales. Segundo ela, é pouco provável que terras produtivas sejam incluídas em listas de desapropriação. É natural que exista um temor, até porque as medidas ainda não foram anunciadas. O que se espera, porém, é que o presidente não mexa com as terras produtivas. Até mesmo porque são muito importantes para a economia boliviana, argumenta. De acordo com a vice-cônsul, o Itamaraty acompanha o processo de perto e, se for necessário, irá defender o interesse dos brasileiros. É claro que, se houver alguma ação mais agressiva, haverá reação do governo federal brasileiro. O mais certo, contudo, e considerando os discursos oficiais, é que nenhum destes boatos catastróficos se concretize. No caso dos grandes e pequenos agricultores que ocupam a chamada faixa de fronteira, a situação é bem distinta. Se houver medidas de desocupação, afirma ela, o governo brasileiro pouco poderá fazer. A constituição boliviana nega a ocupação daquela faixa por estrangeiros, justifica. Patrícia lembra, no entanto, que a Bolívia terá muito mais a perder caso o Brasil faça valer o princípio da reciprocidade. O número de trabalhadores ilegais bolivianos no Brasil é muito maior do que o de brasileiros, legais e ilegais, vivendo na Bolívia. Sobre as críticas de produtores rurais à inoperância do Consulado, ela diz haver incompreensão do papel institucional do órgão. De qualquer forma, até o momento não fomos procurados por nenhum grupo relatando temor em perder terras. (RV)