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ECONOMIA
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2009, 23h:55

Insatisfação declarada nos postos revendedores

Sem perspectivas em relação à retomada do suprimento do gás natural ao Estado, situação confirmada pelo Estado, postos estamparam ontem o nível de insatisfação ao afixar faixas de desagravo à insegurança relativa a esta matriz energética. Em pouco mais de um ano, a falta do gás no Estado se repete pela segunda vez e, novamente, sem previsão de solução a curto prazo. Há pouco mais de um mês, esses mesmos postos exibiam, também por meios de faixas, a sua satisfação com o anúncio do Estado que confirmou assinatura de contrato de compra e venda com a Bolívia, por dez anos. O acordo possibilitou a redução do preço na bomba, que depois de estar entre um dos mais caros do Brasil passou em meados de outubro ao terceiro menor preço entre os estados, saindo de R$ 1,89 para R$ 1,49. “Saímos da euforia para o desespero em um curto intervalo de tempo. A realidade se inverteu: do sonho ao pesadelo”, resumiu o engenheiro Francisco Jamal Soares Almeida, da GNV/MT Distribuidora de Gás Natural, que é responsável pela compressão, distribuição e comercialização do gás natural em todo o Mato Grosso. Ainda refletindo a falta de gás no mercado mato-grossense e reagindo à insegurança deste momento, a GNV/MT, iniciou ontem o processo de demissões com a emissão de avisos prévios que começam a contar a partir de hoje. A empresa, que chegou a ter 22 funcionários, estava operando com 12 e vai demitir oito. O restante do quadro será mantido apenas para a manutenção dos equipamentos. Os empresários, donos de postos e a direção da GNV/MT, reclamam da falta de transparência do Estado, já que eles dizem saber da gravidade do mercado do gás por meio da imprensa. “Não há respostas”, ratifica Jamal. Ele destaca ainda que enquanto o Brasil inteiro corre atrás desta matriz de energia limpa e barata Mato Grosso vai na contramão. “Assina um contrato sem saber se há como transportar o produto comprado, o gás, até o Distrito Industrial. A impressão que fica é de que as autoridades estaduais designadas pelo Estado e no Estado para tratar do gás são incompetentes, porque a falta de transparência evidencia isso e tudo nos assusta muito”. Um empresário, que pediu anonimato, resume o sentimento da cadeia do gás natural estadual: “ou as pessoas que estão à frente das negociações são inocentes, sem lastro de atuações em negócios, ou são muitos trapalhonas, porque comprar o gás e não se certificar da entrega dele é incompreensível, inadmissível e imperdoável. Estão brincando com a situação, menosprezando uma cadeia que o Estado mesmo ajudou a construir”. Para Jamal, a história do gás, em Mato Grosso, se resume em obra surrealista, aquela que provém dos sonhos, do irracional. “Se perdemos esta matriz energética capaz de servir na forma veicular, industrial – como na Sadia – e na residencial, futuramente isso nos será cobrado e motivo de chacota”.

Edição EDIÇÃO 16962




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