ECONOMIA
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 20h:30
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ORTOBOM
Indústria de colchões ameaça encerrar as atividades em VG
Enquanto a planta reclama da falta dos incentivos,
Estado contra-ataca e diz que há problemas fiscais
MARIANNA PERES
Da Reportagem
A indústria de colchões Ortobom, em Várzea Grande, anunciou ontem que está prestes a fechar as portas e, com isso, deixar mais de 300 funcionários desempregados. A medida extrema, segundo os executivos da planta, pode acontecer em breve, já que operam em prejuízo há algum tempo. Outro impacto direto é que a produção de espumas e colchões gera anualmente aos cofres públicos cerca de R$ 6 milhões em impostos e outros US$ 450 mil/ano com as exportações à Bolívia. As cifras que refletem o desequilíbrio financeiro da empresa não foram reveladas, mas os motivos que poderão levar a Ortobom a migrar para outro Estado, sim: falta de incentivos fiscais, alta carga tributária e a perda de competitividade dentro de Mato Grosso. O encerramento das atividades pode ocorrer em curto e médio prazos, caso a indústria não consiga ser enquadrada no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic). Estamos avaliando as propostas de incentivo de outros estados, e há muita coisa interessante, como em Rondônia, por exemplo. É uma pena a gente deixar o Estado, mas uma coisa precisa ser entendida: deixamos de existir em Mato Grosso, e não no Brasil, frisa o gerente-geral da Ortobom, Fábio Leite. Em atividade há 20 anos em Várzea Grande, a fábrica dispõe da mais avançada tecnologia no segmento e confecciona toda a linha de colchões existente no mundo. Leite explica que a fábrica possui vários projetos e entre eles está a implantação do 14º salário aos funcionários, como forma de criar a participação dos colaboradores sobre os lucros da empresa. Porém, como ele observa, a vontade da empresa esbarra no contexto atual. "Ainda não conseguimos implantar o projeto de participação por causa dos riscos que o empreendimento enfrenta em decorrência da elevada carga tributária em vigência no Estado", ponderou. O gerente lembra que desde 2007 a empresa ingressou com carta-consulta junto ao Prodeic e que cumpriu com todas as exigências do programa de incentivos fiscais, e até hoje não teve seu projeto apreciado, fato este que pode levar a empresa a migrar para outro Estado devido ao desequilíbrio financeiro. Acreditamos e investimos em Mato Grosso e não temos ninguém olhando pela gente", lamenta o executivo. Como ele mesmo observa, seu desabafo tem a intenção de prestar contas à sociedade, caso o quadro extremo seja confirmado. Atualmente, a planta em Várzea Grande abastece o mercado local e ainda Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul. Leite disse ainda que as concorrentes que vêm de fora acabam recebendo incentivos em seus respectivos estados e tendo sua carga tributária menor, em comparação àquelas já estabelecidas em Mato Grosso. "Isso nos causa certo desânimo porque contribuímos para o desenvolvimento de Mato Grosso e precisamos de uma contrapartida, e o que temos no momento é a constante perda de competitividade", frisa. ORTOBOM - O grupo possui 17 fábricas em todo o Brasil e gera cerca de seis mil empregos diretos e outros dois mil indiretos, por meio dos seus franqueados. Com uma produção superior a 6 milhões de colchões ao ano, a marca se tornou líder no mercado nacional. DESEMPREGO Para o secretário de Desenvolvimento Econômico de Várzea Grande, Adão Larrea, se ocorrer de a indústria deixar o município "a cidade estará mais pobre". Ele disse ainda que não é nada bom saber que uma indústria de grande porte pode vir a migrar para outro Estado, deixando de gerar vários empregos locais, além de renda para o Estado e município. "Se isso de fato acontecer, o efeito não será apenas sobre o município-sede da planta, mas terá um efeito cascata sobre a economia estadual, já que será menos uma grande indústria em atividade no Mato Grosso". (Com assessoria)