ECONOMIA
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011, 19h:08
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INFLAÇÃO
IGP-M deve começar a desacelerar em fevereiro
FLAVIO LEONEL
Da Agência Estado - São Paulo
Depois de registrar em janeiro uma taxa mais alta que a verificada em dezembro, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) poderá mostrar uma desaceleração em fevereiro e ajudar a taxa acumulada de 12 meses a inverter o movimento de aceleração que foi visto ao longo de todo o ano passado. A opinião é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, que, em entrevista à imprensa, destacou que a maior parte de uma eventual ajuda para o índice em fevereiro poderá vir dos preços ao consumidor, que representam 30% dos IGPs, pressionaram bastante o IGP-M de janeiro e tendem a contar com impactos um pouco menos intensos no mês seguinte. "É possível esperar um IGP-M menor no mês que vem, mas não tão menor", comentou. DIVULGAÇÃO Ontem, a FGV divulgou que o IGP-M de janeiro apresentou taxa de 0,79% ante taxa de 0,69% em dezembro. Segundo a instituição, dentre os três subíndices formadores do IGP-M, dois apresentaram aceleração: o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa os preços do atacado e responde por 60% dos IGPs, subiu 0,76% no primeiro mês do ano, após apresentar alta de 0,63% em dezembro; o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) apresentou alta de 1,08% este mês, em comparação com a elevação de 0,92% em dezembro; e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M), que responde por 10% dos IGPs, foi o único que mostrou movimento diferente, pois registrou elevação de 0,37% em janeiro, após subir 0,59% em dezembro. FATORES De acordo com Quadros, especificamente em relação aos preços ao consumidor, houve uma junção de fatores que pressionaram bastante o subíndice em janeiro e ajudaram a impedir uma eventual desaceleração do IGP-M em janeiro. Segundo a FGV, os maiores destaques ficaram por conta do grupo Educação, Leitura e Recreação, que subiu 2,75% ante alta de 0,42% em dezembro; do grupo Transportes, que avançou 1,94% ante variação de 0,57%; e do grupo Alimentação, que mostrou elevação de 1,47%, menos intensa que a de 1,96% de dezembro, mas ainda capaz de gerar uma contribuição de 0,43 ponto porcentual para a taxa de 1,08% do IPC-M. ALIMENTOS Para Quadros, enquanto a Alimentação costuma sofrer, especialmente nos primeiros meses de cada ano, uma influência da volatilidade dos itens In Natura, as pressões em Educação e Transportes, com os reajustes nas mensalidades escolares e nas tarifas de ônibus, respectivamente, tendem a diminuir já em fevereiro, favorecendo o comportamento dos preços ao consumidor do período. "O IPC pode vir 0,25 ponto porcentual ou 0,30 ponto menor e isso já traria uma descompressão no IGP-M", comentou o coordenador.