ECONOMIA
Segunda-feira, 02 de Março de 2009, 20h:05
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EM CRISE
Grupo Arantes de São Paulo trava luta judicial em Nova Monte Verde
Frigorífico de São José do Rio Preto se defende na Justiça numa pequena comarca
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Abates bovinos em efeito sanfona. Embates forenses com desdobramento no Tribunal de Justiça. Críticas de advogado. Tudo isso compõe o cenário em Nova Monte Verde, onde um dos frigoríficos do Grupo Arantes se instalou há um ano e o juiz de direito Wendell Simplício concedeu recuperação judicial ao Grupo determinando que bancos privados lhe devolvessem cerca de R$ 120 milhões de reais que suas filias em vários estados teriam perdido com derivativos de câmbio. O Frigorífico Monte Verde, em Nova Monte Verde (960 quilômetros ao norte de Cuiabá), entrou em crise, a exemplo do que acontece com as outras plantas frigoríficas do Arantes em Canarana e Pontes Lacerda, que estão inativas e com dívida na praça. No final de 2008 os abates foram temporariamente suspensos. Retornaram neste ano, mas os criadores somente levam os bois aos currais mediante pagamento à vista. Nesse clima, o Grupo Arantes requereu recuperação judicial e o recebimento de derivativos de câmbio. Detalhe: as ações tramitaram na comarca de primeira entrância de Nova Monte Verde e não no foro da sede do Grupo, em São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Na esfera forense advogados dos bancos tentam provar que a sede do Grupo Arantes fica em São José do Rio Preto, e que a empresa é controlada pela tradicional família Arantes, de pecuaristas daquele município. O site do Grupo, que identificava sua sede naquela cidade paulista não está mais no ar. Mas, em Nova Monte Verde, funcionários do frigorífico não negam que a planta local é mera filial, administrada pela gerente administrativa Alcione da Matta, que não foi localizada em seu local de trabalho, ontem. Na sede do Grupo, em São José do Rio Preto, nenhum diretor fala com jornalistas. A assessoria de Comunicação do Arantes, na capital paulista, emitiu nota sobre o caso. Em Cuiabá, o advogado de um dos bancos, Ussiel Tavares, acredita que o Pleno do Tribunal de Justiça colocará a verdade em seu devido lugar. Tavares lamentou as sentenças do juiz Wendell Simplício e do desembargador Donato Fortunato Ojeda. O Judiciário com essas decisões cria fator de insegurança nos investidores de fora. Por isso, a Shell e a Nissan se retiraram de Mato Grosso por alguns anos, lembrou. O gabinete de Ojeda revelou que o desembargador não despacharia ontem, no Tribunal de Justiça. Mas, que a partir de hoje poderia ouvi-lo sobre a possibilidade ou não de conceder entrevista sobre o assunto. A situação é confusa em Nova Monte Verde a tal ponto que nem mesmo a prefeita, Beatriz de Fátima Sueck Lemes (PP), fala sobre o assunto. O presidente do Sindicato Rural, Florisvaldo José Ferreira, não compartilha do silêncio de Beatriz. Eles devem, mas aos poucos pagam. Agora, abate mesmo só com pagamento à vista, revela Ferreira. Ontem, o frigorífico teria abatido 373 bois. O silêncio também foi adotado pelo prefeito de Pontes e Lacerda (480 quilômetros a oeste de Cuiabá), Newton Miotto (PP), onde o Arantes está fechado. Uma fonte ligada ao sindicato rural do município revelou que o principal comprador de bois do frigorífico na região teria viajado para São José do Rio Preto, onde se reuniria com a direção do Grupo.