ECONOMIA
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 20h:09
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EXPORTAÇÕES AGRÍCOLAS
Governo federal projeta queda de 12%
Vendas externas do setor, que no ano passado foram de US$ 71,8 bi, estão estimadas em US$ 63,4 bi neste ano, mas deverão ser beneficiadas pelo câmbio
O ano mal começou, mas o governo federal já trabalha com a possibilidade de a balança comercial brasileira perder neste ano parte do apoio de um importante aliado. O agronegócio, que sempre foi responsável por uma parcela significativa do superávit nacional, irá recuar pelo menos 12% em 2009. Segundo o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Célio Porto, as vendas externas do setor, que no ano passado foram de US$ 71,8 bilhões, estão estimadas em US$ 63,4 bilhões neste ano. A retração das vendas em dólar é explicada pela queda nos preços internacionais. Mesmo com a recuperação registrada em janeiro, a valorização ainda não se aproxima das máximas alcançadas nos primeiros seis meses do ano passado. No primeiro semestre de 2008 algumas das principais commodities atingiram recordes históricos. Os preços da soja, por exemplo, superaram US$ 16 por bushel em julho. A carne bovina, diante da forte demanda dos países emergentes e da baixa disponibilidade do produto, teve os preços da tonelada do produto in natura negociada acima de US$ 4,5 mil ao longo do ano, mas fechou dezembro em US$ 3,2 mil. A queda em dólar, no entanto, não implicará em perda de renda para o produtor. Para o secretário, as exportações do setor terão um aumento superior a 10%, quando convertidas para real. A expectativa é de que as vendas externas passem dos R$ 131,7 bilhões de 2008 para R$ 145,9 bilhões neste ano. "Os primeiros 16 dias úteis de janeiro foram positivos, com os preços recuperando parte da queda registrada no ano passado e com os volumes embarcados se recuperando e como se sabe a agricultura responde rápido à valorização do dólar", afirma Porto. Na opinião do secretário, a queda nas exportações não está relacionada a uma retração na demanda por alimentos. Ele lembra que os fundamentos que fizeram os preços agrícolas terem uma forte alta no ano passado ainda estão mantidos, como a queda nos estoques internacionais e a demanda dos países emergentes. "Podemos dizer que em relação ao tamanho da crise, o cenário para as exportações do agronegócio é otimista", afirma. Apesar do otimismo do governo federal, o próprio secretário admite que existem aspectos que ainda preocupam e merecem atenção, como o protecionismo que alguns países importadores já sinalizaram e que poderá ser adotado a qualquer momento. "No começo do ano passado, os países ensaiaram medidas para limitar as exportações. Agora, o protecionismo é no sentido contrário, pois vem do lado dos importadores", disse o secretário. Outra preocupação do governo é em relação aos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACCs), linha utilizada para financiar os exportadores e que ainda segue em ritmo lento. De acordo com Porto, os dados do Banco Central mostram que o crédito para ACC ainda é muito baixo, mesmo com todas as medidas adotadas pelo governo.