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ECONOMIA
Quinta-feira, 07 de Março de 2002, 20h:27

GÁS NATURAL

GasOcidente inaugura gasoduto

Solenidade de ontem em Cuiabá oficializa o empreendimento, que está em operação há sete meses

DANIEL PETTENGILL
Da Reportagem
Com sete meses de “atraso”, o gasoduto Bolívia-Mato Grosso foi inaugurado oficialmente ontem em solenidade no Distrito Industrial de Cuiabá. Desde agosto de 2001, o duto de 642 quilômetros de extensão que traz o combustível diretamente de San Matias, no país vizinho, está concluído e fornece gás natural para abastecer a termelétrica de Cuiabá I, que operava desde 1999 abastecida com óleo diesel. Só agora, no entanto, o projeto ganhou uma cerimônia de inauguração e discursos emocionados ao ex-governador de São Paulo Mario Covas, cujo nome foi emprestado, a pedido do governador Dante de Oliveira (PSDB), para batizar o gasoduto. O evento, no entanto, não contou com a presença do ministro de Minas e Energia, José Jorge, nem da direção nacional da Enron – principal acionista do empreendimento. A termelétrica tem capacidade para gerar até 480 megawatts (MW) de energia, mas está operando atualmente com 240 MW em ciclo combinado de gás simples e vapor. A expectativa das empresas empreendedoras do projeto do gasoduto Bolívia-Mato Grosso, GasOcidente, Pantanal Energia e GasOriente, é de que em um mês a usina atinja a cota completa de geração, o que representaria 80% da demanda total de energia de Mato Grosso. Segundo o projeto, os dutos poderão transportar até 2,2 milhões de m3 de gás por dia. Desse volume, 1,6 milhão de m3 ficará retido para abastecer a usina e os outros 600 mil m3 ficarão disponíveis para a distribuição alternativa por canalização para indústrias, comércios, veículos e residências. Essa etapa está indefinida por enquanto, pois ainda não há regulamentação para os serviços de distribuição de gás para a Grande Cuiabá. Depois de não registrar interessados e fracassar pela primeira vez no ano passado, o processo licitatório para a escolha da empresa encarregada de fazer o serviço emperrou devido a contestações do deputado estadual Gilney Viana (PT) em relação às bases do edital de contratação. A proposta do deputado é de que o governo detenha 51% das ações de pesquisa, distribuição e venda do gás. “Estamos preocupados com essa demora”, reclama o superintendente da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt), José Epaminondas Conceição. A inquietação baseia-se no alto potencial de consumo do gás pelo setor industrial. Segundo dados da Fiemt elaborados em 2000, apenas a Cimentos Itaú, em Nobres, e o parque completo de Cuiabá e Várzea Grande absorveriam 250 mil m3 por dia de gás dos 600 mil m3 disponíveis. “Utilizar energia a custos mais baixos impulsionaria o crescimento industrial do Estado. Hoje em dia, o empresário do setor compromete de 5% a 30% do seu rendimento com a energia”, calcula o presidente da Fiemt, Alexandre Furlan. Além disso, indústrias substituiriam combustíveis mais poluentes pelo gás natural. OUTROS SETORES - Taxistas, transportadores e motoristas de vans também serão beneficiados com a canalização do gás, segundo o secretário de Estado de Indústria, Comércio e Mineração, Carlos Avalone Júnior. De acordo com ele, o uso do gás vai representar menos custos para os profissionais desses setores, uma vez que o combustível vai custar praticamente um terço do preço da gasolina. “A distribuição do gás sem dúvida alguma seria uma ótima notícia para quem trabalha dirigindo veículos”, afirma. LEIA TAMBÉM #LINK#91703#GasOcidente inaugura gasoduto #LINK#91704#Fiemt investe R$ 1 milhão em capacitação #LINK#91705#Processo nos EUA não afeta negócios em MT

Edição edição 16957




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