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Cuiabá MT, Sábado, 06 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 06 de Junho de 2026, 06h:40

SANEAMENTO BÁSICO

Estado desperdiça 101 piscinas olímpicas de água potável por dia

Em MT, a redução das perdas de água tratada poderia garantir abastecimento para 846.244 pessoas

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Reprodução
Mato Grosso aparece na 15ª posição no ranking das 27 unidades da Federação com a maior perda hídrica, segundo estudo

Novo levantamento do Instituto Trata Brasil intitulado, o “Estudo de Perdas de Água 2026: Desafios na Eficiência do Saneamento Básico no Brasil” revela que a perda de água potável é elevada em Mato Grosso.

Diariamente, o Estado desperdiça 101 piscinas olímpicas do líquido - ou 335.842 caixas d’água de 750 litros.

A redução dessas perdas até o nível regulatório poderia garantir abastecimento para 846.244 pessoas.

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Divulgado na última quarta-feira (3), o levantamento aponta que 41,01% do líquido captado e tratado são perdidos antes mesmo de chegarem às torneiras das famílias mato-grossenses.

Esse percentual é superior à média nacional que é 39,53%.

No país, 4,4 trilhões de litros são perdidos antes de chegar às residências.

Esse volume é suficiente para abastecer aproximadamente 77 milhões de brasileiros por um ano.

A portaria 788/2024, que passou a estabelecer metas fixas para os indicadores de perdas na distribuição e perdas por ligação, prevê indicadores iguais ou inferiores a 35% e 303,0 l/ligação/dia até 2025; a 30% e 263,0 l/ligação/dia entre 2026 e 2032.

E, finalmente, a 25% e 216,0 l/ligação/dia a partir de 2033, respectivamente para perdas na distribuição e perdas por ligação.

Também durante o processo de distribuição, Mato Grosso aparece na 15ª posição no ranking das 27 unidades da Federação com a maior perda hídrica.

Entre os estados com a menor média, o destaque fica por conta do Piauí (24,61%).

Em seguida, aparece Goiás (27,61%), seguido de Mato Grosso do Sul (30,60%) e do Distrito Federal (31,55%), todos da região Centro-Oeste.

Na outra ponta, a análise evidencia um padrão de maior ineficiência concentrado principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país.

Estados como Alagoas (66,90%), Roraima (65,97%), Pará (57,33%), Maranhão (56,68%), Acre (56,48%) e Sergipe (55,10%), apresentam níveis de perdas superiores a 55% do volume distribuído.

Entre as capitais, Cuiabá chama atenção com 53,28% de água potável perdida na distribuição. Ou seja, apresenta grande potencial de melhoria operacional.

Na cidade, cada ligação desperdiça diariamente em média 804,23 litros, muito acima do limite de 216 litros.

Esse desperdício equivale a 33,68 piscinas olímpicas ou 112.272 caixas d’água de 750 litros por dia e, a redução poderia atender cerca de 239.082 pessoas.

Cenário ainda mais preocupante é verificado em Várzea Grande, com 59,03% de perdas da distribuição.

Esse percentual coloca o município mato-grossense está entre os 10 mais populosos do país com os piores resultados.

Segundo o estudo, sete deles estão localizados nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para Parauapebas (PA), com 70,68%, e Maceió, com 64,05%.

Conforme o Trata Brasil, as perdas de recursos hídricos ocorrem em diferentes etapas do sistema, sendo decorrentes de vazamentos, falhas operacionais, erros de medição, consumos não autorizados e inconsistências cadastrais.

“Essas perdas geram impactos ambientais, operacionais e financeiros relevantes, elevando os custos de produção, pressionando os mananciais e reduzindo a eficiência econômica dos prestadores de serviços de saneamento básico”, diz o relatório.

Para o Instituto, a redução das perdas de água deve ser compreendida como uma política pública estratégica para a universalização do saneamento básico até 2033, conforme previsto no Novo Marco Legal do Saneamento.

A redução “contribui para mitigar a necessidade de expansão de mananciais e aumentar a resiliência dos sistemas de abastecimento em um contexto de crescente pressão sobre os recursos hídricos e de intensificação dos efeitos das mudanças climáticas”.

Responsável pelo saneamento básico em Cuiabá, a concessionária Águas Cuiabá tem garantido que intensificou o combate às perdas de água tratada com combinação de tecnologia com uso de geofones e trabalho de campo minucioso.

Apenas em 2025, já identificou cerca de 20 mil vazamentos, sendo 30% deles não visíveis.

Já em Várzea Grande, a administração municipal deve apresentar, a partir de setembro deste ano, uma proposta de concessão do Departamento de Água e Esgoto (DAE).

A iniciativa é apontada como solução para o problema de saneamento na cidade e foi uma das promessas de campanha da prefeita Flávia Moretti (PL).

Os dados utilizados no estudo são do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa).

Os resultados são considerados essenciais tanto para o planejamento de investimentos quanto para o acompanhamento das metas de eficiência estabelecidas pela regulação do setor.


Edição edição 16957




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