ECONOMIA
Segunda-feira, 28 de Julho de 2014, 20h:07
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Fundação MT também alerta sobre situação
As cultivares de milho dotadas de tecnologia Bt - materiais geneticamente modificados que permitem a produção de proteínas tóxicas para algumas espécies de lagartas e outros insetos - vêm perdendo eficiência nos últimos anos no Brasil. É o que alertam os pesquisadores da Fundação de Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), Rafael Zeni e Lucia Vivan. A atual segunda safra do grão tem comprovado os resultados obtidos nas pesquisas desenvolvidas ao longo dos últimos anos. Este cenário tem desencadeado algumas ações no meio. No campo o que se tornou bastante comum é a utilização de várias aplicações de inseticidas, a fim de conter a pressão de pragas no milho transgênico. A situação é mais frequente em tecnologias com maior tempo de utilização e que apresentam a expressão de apenas uma proteína Bt, explica Zeni. A tecnologia Bt foi criada em 1997, nos Estados Unidos, e há pouco mais de seis anos foi liberada para uso comercial no Brasil. Desde então passou a ser utilizada em larga escala, acarretando a atual situação das lavouras. Isso porque, naturalmente, estes genes de resistência do milho Bt estão presentes nos insetos, em frequências bastante pequenas, conforme esclarece a entomologista. Mas, a partir do momento que trabalhamos com a tecnologia mais intensamente, iniciamos uma forte pressão de seleção destes genes de resistência, fazendo com que as populações de insetos resistentes aumentem. Outro ponto importante que pode contribuir para a perda de eficiência da tecnologia Bt é a ausência de refúgios estruturados nas áreas de plantio. A utilização do refúgio estruturado continua sendo uma estratégia fundamental para prolongar a vida útil da biotecnologia. Algumas instituições e pesquisadores defendem a necessidade em aumentar o tamanho da área, a fim de garantir a multiplicação suficiente de insetos suscetíveis e a sua reprodução. A definição do tamanho atualmente está em reavaliação e o governo federal vem trabalhando na criação de leis que obriguem o cumprimento das exigências, aponta Zeni. O refúgio nada mais é do que uma área próxima do milho Bt, mas com cultivares convencionais, sem tecnologia transgênica, com distância máxima de 800 metros do milho Bt. Assim, há o encontro das mariposas resistentes com as suscetíveis à tecnologia, evitando assim a evolução da resistência, destaca Vivan. Há várias formas de se fazer esse plantio, em faixas alternadas, nas bordaduras, em blocos maiores ou menores. O produtor deve adotar o desenho que melhor se adapte à sua situação. Os pesquisadores orientam também com relação ao manejo do milho Bt. É preciso entender que a transgenia é mais uma ferramenta a ser inserida no Manejo Integrado de Pragas (MIP) e que não pode ser encarada como a solução para todos os problemas. É importante que o produtor realize o monitoramento a campo periodicamente e acompanhe a evolução dos índices das pragas ao longo do ciclo, orienta a entomologista. Ela ainda lembra que em casos de escape de pragas, a intervenção com outras medidas de controle, como defensivos, precisa ser adotada nos estágios e doses recomendadas, com tecnologia de aplicação adequada para a condição. LAGARTA DO CARTUCHO A lagarta é a praga que mais preocupa a classe produtora de milho no cerrado brasileiro. Mesmo havendo um complexo de pragas que atacam a cultura, inclusive do gênero Helicoverpa, a Spodoptera frugiperda ainda representa as maiores perdas. Sua presença pode ocorrer desde os estágios iniciais, podendo ter hábito de rosca e comprometer estande de plantas, durante o período vegetativo, com danos expressivos nas folhas (cartucho) e no período reprodutivo, pelo seu ataque nas espigas, ocasionando danos diretos à produção, além de promover a porta de entrada para patógenos e outras pragas, detalha a entomologista da Fundação MT. Em milho convencional os danos são variáveis em função da fase de desenvolvimento em que a planta sofre os danos, oscilando entre 17%, nos primeiros estádios, a 34% nos últimos de desenvolvimento vegetativo. Como hoje algumas tecnologias são atacadas como plantas convencionais, as perdas podem ser similares se não for realizado o controle.