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ECONOMIA
Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013, 19h:43

HELICOVERPA

Fundação MT mostra resultados de pesquisa voltada ao controle

Praga de difícil manejo começa a ser desmitificada em Mato Grosso

A Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária do Mato Grosso (Fundação MT) está divulgando desde o último dia 18 no Fundação MT em Campo: É hora de Cuidar 2013, os primeiros resultados de pesquisas feitas para o controle da desafiadora lagarta Helicoverpa armigera com produtos químicos. A praga tem tirado o sono de toda a classe agrícola no país, especialmente por ter sido recentemente descoberta no Brasil e por ter difícil controle, como ressalta a Entomologista da Fundação MT, Lúcia Vivan. “Com a planta no estádio vegetativo e quando a lagarta está nos primeiros estádios o controle é mais fácil, pois ela prefere as folhas superiores e mais novas. Com o período reprodutivo das plantas (estágio R1) as lagartas procuram as inflorescências e vagens, com difícil visibilidade, sendo o controle mais difícil nessa fase e após cerca de 20 dias elas entram em fase de pupa e ficam a 5 cm abaixo do solo.” A pesquisadora trabalha com experimentos na área desde março deste ano e a instituição divulga os dados em meio ao cenário preocupante que a praga tem causado logo no início da safra 2013/14 de soja. Para que isso fosse possível, todo o ciclo da lagarta tem sido desenvolvido dentro do laboratório da instituição: ovo, lagarta, pupa e mariposa. O mapeamento da praga já foi feito e ela está presente em todo Cerrado e em alguns outros estados. Conforme destaca Vivan, o próximo passo é testar as diversas formas de controle. “Além dos químicos, que já estamos divulgando, também desenvolvemos estudos com feromônios - substância química sexual para atração, produtos a base de vírus, e estudos de parasitismo por diferentes inimigos naturais, mas esses estudos ainda estão em andamento”. Além destas primeiras informações, o que já se tem certeza é de que o monitoramento das lavouras é a principal ferramenta para evitar maiores danos com a praga. “Estamos sempre frisando que o monitoramento é importante para definir quais são os tipos de lagarta presente na plantação, a quantidade delas e qual será a melhor forma de combatê-la”, reitera a pesquisadora. No caso da Helicoverpa armigera, além de sua localização na planta dificultar o combate, o fato dela ser polífaga – se alimenta de várias plantas - também influência no controle, como explica a pesquisadora da Fundação MT. “Essa espécie é voraz e alimenta-se de diferentes culturas como milho, milheto, citrus, café, algodão, etc. Isso faz com que haja muita disponibilidade de alimento em diversos períodos do ano. Essa característica agrava a situação”. Esse aspecto em conjunto com outros e a alta incidência da lagarta no Mato Grosso fez com que recentemente o governo brasileiro decretasse emergência fitossanitária no Estado em função dos ataques da lagarta. O decreto tem vigência de um ano e concederá às autoridades uma "maior flexibilidade" para adotar as medidas necessárias para o extermínio da Helicoverpa armigera, especialmente no que se trata de produtos químicos. MAPA - O Ministério Público da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) tem acompanhado de perto os problemas causados pela Helicoverpa armigera em Mato Grosso. O representante do órgão, Wanderlei Dias Guerra, tem percorrido as lavouras estaduais. “Todas as áreas de soja que visitei tem Helicoverpa spp., em especial a armigera, em baixo ou alto grau de infestação. E o que devemos destacar é que o produtor precisa estar atento a todas as orientações para combatê-la”. A ação é importante conforme Guerra relata. “Também é importante lembrar que se orienta aplicar somente produtos que tenham registro no Mapa. Pois, não se sabe a eficiência dele contra essa praga. Ele pode controlar uma parte da população, a mais suscetível, de 50% a 70%. Os 30% que sobram, são os que vão se tornar resistentes, eles serão selecionados”, destaca. Ainda há outra consequência de acordo com ele, “o impacto aos inimigos naturais da lagarta, como os parasitas, por exemplo,”.

Edição EDIÇÃO 16965




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