ECONOMIA
Sábado, 07 de Março de 2009, 11h:42
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PECUÁRIA - II
Falta de plantas já pressiona arroba
Bois estão circulando mais de 500 quilômetros dentro do Estado para ser abatidos. Insegurança e escassez de unidades reduzem vendas em até 90%
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A falta de plantas para absorver a produção de carnes em Mato Grosso está levando a uma queda generalizada dos preços da arroba. Em algumas regiões do Estado os produtores estão sem opção de venda e têm de negociar com frigoríficos localizados a mais de 500 quilômetros, como é o caso de Juína, Juruena e Aripuanã, na região noroeste do Estado, onde há frigoríficos em operação. A conclusão que se tem é de que o fechamento das unidades está pressionando os preços para baixo. A arroba da vaca, por exemplo, que chegou a ser cotada a R$ 80 em meados do ano passado, foi desvalorizada em cerca de 25%, despencando para R$ 61 esta semana. No caso do boi, o recuo foi de R$ 20 por arroba, com os preços caindo de R$ 90 para R$ 70 (-22%). Ninguém arrisca um palpite para os próximos meses. Os preços estão numa gangorra e a instabilidade tomou conta do mercado. Não dá para fazer previsão, disse Joelson Tretini, pecuarista em Tangará da Serra (242 quilômetros ao médio norte de Cuiabá). Para 2009, o Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea) traça perspectivas conservadoras à pecuária. A volatilidade dos preços deve continuar, com a cotação da arroba não ficando muito distante dos patamares de 2008. O Imea prevê que o setor de carnes com destaque para frangos, suínos e bovinos - será pressionado pela crise e redução da demanda, e o abate total de animais deve continuar baixo. O quadro que se vislumbra no momento é de que 2009 será de desaceleração da atividade pecuária como reflexo direto da crise que já chegou aos frigoríficos e começa a incomodar os produtores. Os sintomas desse desaquecimento já vinham sendo sentidos desde o ano passando, quando houve uma redução de 29,26% no volume de abates, que caiu de 5,30 milhões de cabeças para 4,10 milhões. O reflexo imediato foi a queda de 21,60% também na produção de carne, que recuou de 1,20 milhão de toneladas para 948 mil toneladas. O presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Estado (ACN/MT), José João Bernandes, diz que a pressão para o abate de fêmeas será maior este ano. 2008 foi um ano atípico para a pecuária. Este ano a crise já começa a afetar a cadeia pecuária e os produtores devem se manter cautelosos, recomendou. Ele também prevê um período de desaceleração da atividade em decorrência da atual conjuntura e do nível de oferta, que deverá continuar baixo em 2009. Presidente do Sindifrigo. Luiz Antônio Freitas Martins admite que existem frigoríficos em dificuldades financeiras, mas todos estão procurando cumprir e honrar seus compromissos com os fornecedores.