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Cuiabá MT, Quarta-feira, 24 de Junho de 2026

ECONOMIA
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:04

COPA 20

Explosão cria novo ciclo

Passada a euforia pela confirmação, é hora de empreender, mostrar a cara de Cuiabá para o mundo e obter dividendos

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Cuiabá se prepara para ingressar em um novo ciclo de crescimento, maior até mesmo que o do ouro, na época dos Bandeirantes, ou do agronegócio vivido pelo Estado, na atual década. Pelo menos R$ 5 bilhões deverão ser investidos nos próximos cinco anos com a confirmação da Capital como uma das sedes da Copa 2014. Mas há quem diga que esta cifra poderá chegar a R$ 8 bilhões. O prefeito da Capital, Wilson Santos, disse que nas 48 horas que sucederam ao anúncio da Fifa, ele recebeu diversos telefonemas de investidores interessados em Cuiabá. “O Estado que mais cresce no país, a um ritmo chinês, está prestes a receber cifras estratosféricas a partir de agora. Os imóveis ficarão 50% mais caros”. Ainda na euforia pela conquista, o prefeito fez um desabafo: “Essa Copa além de todos os benefícios que teremos e já citamos, vai fazer um importante resgate, trazer o Pantanal de volta para o Mato Grosso, não é só de investimentos que teremos o que comemorar”. Nesta linha de raciocínio, Santos – que foi professor – destacou que Cuiabá esteve isolada por mais de 200 anos. “A Copa fez justiça a este povo. Os próximos anos serão de ouro. O Estado de jagunços virou campeão nacional de crescimento por 20 anos consecutivos. Somos líderes na produção de soja, algodão, na bovinocultura, somos importantes exportadores e produtores de milho e arroz. Enfim, este é o nosso momento”. A cidade passará por uma transformação sem precedentes e até mesmo as cidades do entorno serão beneficiadas com as inúmeras obras que serão erguidas. Novos edifícios, hotéis e centros de treinamento são alguns dos projetos já confirmados e que já alteraram perspectivas de grandes e pequenos investidores, como também, de simples trabalhadores. “Não dá para fazer idéia de como a cidade ficará daqui a cinco anos”, diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Luiz Carlos Richter Fernandes. A construção civil será o setor que sofrerá a maior propulsão, demandando matéria-prima e mão-de-obra para atender o grande volume de obras. “Há muitos desafios, e o maior dele talvez seja preparar pessoal qualificado para os canteiros de obras”, afirma Richter, que sugere parcerias entre o governo, Sebrae e Senai para a formação de trabalhadores. A construção civil gera atualmente cerca de 25 mil empregos, mas com os projetos da Copa, este número poderá duplicar nos próximos anos, demandando mais profissionais para o setor. “Já estamos preparando um plano voltado para o crescimento desta demanda”, anuncia o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Gilberto Figueiredo. A entidade conta com uma unidade no Distrito Industrial de Cuiabá com capacidade para qualificar 10 mil trabalhadores por ano. “Com a Copa vamos ampliar nossos cursos e capacitar mais profissionais para o mercado de trabalho”. O secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia do Estado, Pedro Nadaf, vislumbra a construção de majestosas obras nos setores de hotelaria e turismo e aposta em uma mudança do perfil econômico do município. “Cuiabá será vista sob nova ótica e ninguém faz idéia das transformações que irão acontecer. Será uma redescoberta da cidade para o mundo”. NEGÓCIOS - Além das melhorias que irão remeter a Capital a esta nova realidade, a Copa do Mundo, por si só, traz uma valorização natural dos imóveis existentes no município, com destaque para os localizados na área de influência do Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, que irá polarizar os maiores investimentos e gerar o maior volume de empregos na região. A previsão é de que haja um crescimento de pelo menos 12% no número de empreendimentos. Por conta deste fator, muitos já falam em uma supervalorização do bairro Verdão. “Acredito que os imóveis terão uma forte valorização”, afirma o presidente do Sinduscon, Luiz Fernandes. Entretanto, segundo os imobiliaristas, esta valorização não deve ocorrer do dia para a noite. “Quem tem um terreno ou casa localizada em uma das áreas valorizadas, como o Verdão, shopping e parques, terão de aguardar mais um pouco. Teremos uma grande expansão, entretanto, este processo será gradual”, avalia o diretor de Habitação do Secovi, Ruy Pinheiro. Segundo ele, o “mercado está estável” e casas e terrenos terão uma valorização mais lenta. Pinheiro acredita que quando as obras de infraestrutura “começarem a fluir”, as áreas ao entorno do Verdão poderão ter uma valorização entre 30% e 40%. Uma moradora do Residencial Ilhas do Açores, Daniela Crivelatti, disse ter aumentado o preço do seu apartamento de R$ 120 mil para R$ 160 mil - valorização de 33% - depois do anúncio da Fifa. “Temos casos pontuais de proprietários que não querem vender seu imóvel agora, como é o caso da Daniela, principalmente quando há interesse de muitos compradores. Esses imóveis terão valorização imediata”, afirma o corretor Marcos Zanetti. (Mais na página C2)

Edição EDIÇÃO 16969




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