ECONOMIA
Sábado, 06 de Junho de 2009, 16h:04
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COPA 20
Explosão cria novo ciclo
Passada a euforia pela confirmação, é hora de empreender, mostrar a cara de Cuiabá para o mundo e obter dividendos
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Cuiabá se prepara para ingressar em um novo ciclo de crescimento, maior até mesmo que o do ouro, na época dos Bandeirantes, ou do agronegócio vivido pelo Estado, na atual década. Pelo menos R$ 5 bilhões deverão ser investidos nos próximos cinco anos com a confirmação da Capital como uma das sedes da Copa 2014. Mas há quem diga que esta cifra poderá chegar a R$ 8 bilhões. O prefeito da Capital, Wilson Santos, disse que nas 48 horas que sucederam ao anúncio da Fifa, ele recebeu diversos telefonemas de investidores interessados em Cuiabá. O Estado que mais cresce no país, a um ritmo chinês, está prestes a receber cifras estratosféricas a partir de agora. Os imóveis ficarão 50% mais caros. Ainda na euforia pela conquista, o prefeito fez um desabafo: Essa Copa além de todos os benefícios que teremos e já citamos, vai fazer um importante resgate, trazer o Pantanal de volta para o Mato Grosso, não é só de investimentos que teremos o que comemorar. Nesta linha de raciocínio, Santos que foi professor destacou que Cuiabá esteve isolada por mais de 200 anos. A Copa fez justiça a este povo. Os próximos anos serão de ouro. O Estado de jagunços virou campeão nacional de crescimento por 20 anos consecutivos. Somos líderes na produção de soja, algodão, na bovinocultura, somos importantes exportadores e produtores de milho e arroz. Enfim, este é o nosso momento. A cidade passará por uma transformação sem precedentes e até mesmo as cidades do entorno serão beneficiadas com as inúmeras obras que serão erguidas. Novos edifícios, hotéis e centros de treinamento são alguns dos projetos já confirmados e que já alteraram perspectivas de grandes e pequenos investidores, como também, de simples trabalhadores. Não dá para fazer idéia de como a cidade ficará daqui a cinco anos, diz o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil (Sinduscon), Luiz Carlos Richter Fernandes. A construção civil será o setor que sofrerá a maior propulsão, demandando matéria-prima e mão-de-obra para atender o grande volume de obras. Há muitos desafios, e o maior dele talvez seja preparar pessoal qualificado para os canteiros de obras, afirma Richter, que sugere parcerias entre o governo, Sebrae e Senai para a formação de trabalhadores. A construção civil gera atualmente cerca de 25 mil empregos, mas com os projetos da Copa, este número poderá duplicar nos próximos anos, demandando mais profissionais para o setor. Já estamos preparando um plano voltado para o crescimento desta demanda, anuncia o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), Gilberto Figueiredo. A entidade conta com uma unidade no Distrito Industrial de Cuiabá com capacidade para qualificar 10 mil trabalhadores por ano. Com a Copa vamos ampliar nossos cursos e capacitar mais profissionais para o mercado de trabalho. O secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia do Estado, Pedro Nadaf, vislumbra a construção de majestosas obras nos setores de hotelaria e turismo e aposta em uma mudança do perfil econômico do município. Cuiabá será vista sob nova ótica e ninguém faz idéia das transformações que irão acontecer. Será uma redescoberta da cidade para o mundo. NEGÓCIOS - Além das melhorias que irão remeter a Capital a esta nova realidade, a Copa do Mundo, por si só, traz uma valorização natural dos imóveis existentes no município, com destaque para os localizados na área de influência do Estádio Governador José Fragelli, o Verdão, que irá polarizar os maiores investimentos e gerar o maior volume de empregos na região. A previsão é de que haja um crescimento de pelo menos 12% no número de empreendimentos. Por conta deste fator, muitos já falam em uma supervalorização do bairro Verdão. Acredito que os imóveis terão uma forte valorização, afirma o presidente do Sinduscon, Luiz Fernandes. Entretanto, segundo os imobiliaristas, esta valorização não deve ocorrer do dia para a noite. Quem tem um terreno ou casa localizada em uma das áreas valorizadas, como o Verdão, shopping e parques, terão de aguardar mais um pouco. Teremos uma grande expansão, entretanto, este processo será gradual, avalia o diretor de Habitação do Secovi, Ruy Pinheiro. Segundo ele, o mercado está estável e casas e terrenos terão uma valorização mais lenta. Pinheiro acredita que quando as obras de infraestrutura começarem a fluir, as áreas ao entorno do Verdão poderão ter uma valorização entre 30% e 40%. Uma moradora do Residencial Ilhas do Açores, Daniela Crivelatti, disse ter aumentado o preço do seu apartamento de R$ 120 mil para R$ 160 mil - valorização de 33% - depois do anúncio da Fifa. Temos casos pontuais de proprietários que não querem vender seu imóvel agora, como é o caso da Daniela, principalmente quando há interesse de muitos compradores. Esses imóveis terão valorização imediata, afirma o corretor Marcos Zanetti. (Mais na página C2)