ECONOMIA
Sábado, 21 de Março de 2009, 13h:43
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CONSTRUÇÃO CIVIL
Empresas começam a sentir reflexos da crise
Enquanto sindicato da categoria ameniza situação e nega crise, construtoras e lojas de materiais de construção reclamam da queda no movimento e anunciam demissões
THAÍSA ELIS
Da Reportagem/Rondonópolis
As empresas ligadas ao setor da construção civil em Rondonópolis começam a sentir os efeitos da crise financeira mundial, cuja explosão ocorreu com a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro do ano passado. Tanto o comércio como a indústria locais reclamam da queda nas vendas e do recuo no número de projetos neste início de ano, em comparação com o mesmo período de 2008. Algumas empresas demitiram parte da mão-de-obra, como alternativa para reduzir os custos, e estão enxugando os gastos administrativos. Alegando sofrimento com a crise, o proprietário da ADD Construtora, Olavo Alves, argumenta que de janeiro a março a empresa teve uma queda de 30% na demanda por construções. Motivo que fez com que a construtora demitisse 30 dos 100 funcionários. A empresa, especializada em projetos agrícolas e industriais, está desenvolvendo neste início de ano o orçamento de apenas dois projetos, enquanto no primeiro trimestre do ano passado tinha sido procurara para a realização de 20 empreendimentos. A empresa ADD também começou a reduzir gastos no escritório de sua sede. Olavo disse que tem orientado os funcionários a evitarem despesas em excesso porque, segundo ele, a construtora pretende manter o quadro atual de funcionários e não realizar mais nenhuma demissão. Apesar da situação, o empresário se mostra otimista com relação à crise e acredita que o quadro pode ser revertido. Para mim essa crise é uma questão política e financeira e esse quadro pode ser revertido até o meio do ano, pontuou. Na opinião do sócio-proprietário da Construtora Salas, engenheiro Helmute Hollatz, a crise está afetando o setor de construção aos poucos. Mesmo assim, os efeitos já podem ser sentidos, mesmo que de forma mais branda. Hollatz afirmou que ainda não demitiu nenhum funcionário, mas que já está sentindo a retração dos clientes. Neste primeiro trimestre, as construções encabeçadas pela empresa tiveram uma queda, mas ele acredita que a partir de junho a situação deve melhorar em Rondonópolis. Hollatz justifica que a economia de Rondonópolis está intimamente ligada ao agronegócio. Como a produção não para, mesmo em tempos de crise, o dinheiro proveniente do campo acaba movimentando a cidade, que acompanha o ritmo da safra. Nós estamos otimistas porque temos um perfil de economia diferente. Nosso mercado depende da produção de soja no Estado e com certeza a recuperação será rápida, enfatizou o empresário. SINDUSCON-SUL - Na contramão do que dizem os empresários, o Sindicato das Indústrias da Construção Civil em Rondonópolis e Região Sul do Estado (Sinduscon-Sul) diz que a crise ainda não chegou à região. O presidente da entidade, Nelson Salas Fuentes, justifica que tanto a economia estadual como o setor da construção têm conseguido manter a estabilidade e que algumas construções e reformas que estão em curso na cidade asseguram a atividade para alívio de empresários e empregados do setor. O presidente do sindicato destaca que é no segundo semestre do ano que os efeitos da crise serão sentidos com mais intensidade pelo setor da construção em Rondonópolis. Segundo ele, isto vai acontecer porque os clientes estão receosos quanto à economia e receosos na hora de investir. Nelson Fuentes recomenda cautela aos empresários, especialmente evitando gastos desnecessários, e criatividade para enfrentar os problemas. O Sinduscon-Sul representa 300 lojas de materiais de construção e 120 construtoras que atuam na região de influência de Rondonópolis.