ECONOMIA
Sábado, 28 de Fevereiro de 2009, 12h:13
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GRUPO NAOUM
Economia afetada
Fechamento de duas usinas em Jaciara, sul do Estado, poderá engessar toda região vizinha à cidade, pela falta de emprego e receita
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A paralisação das Usinas Jaciara e Pantanal, ambas pertencentes ao grupo Naoum e localizadas em Jaciara (144 quilômetros ao sul de Cuiabá), poderá engessar a economia do município e região, que têm sua arrecadação baseada na produção de álcool e açúcar. O Grupo, que gera cinco mil empregos diretos nessas atividades e responde por cerca de 50% da arrecadação de impostos, não suportou o baque da crise financeira e protocolou seu pedido de recuperação judicial, deferido pelo juiz da 4ª Vara Civil de Anápolis (GO), Dioran Jacobina Rodrigues. Fomos atingidos de frente pela decisão do Grupo em suspender suas atividades. Estamos numa sinuca de bico, afirmou o secretário de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Turismo e Agricultura de Jaciara, Milton Ferreira Júnior. O Grupo Naoum é o maior arrecadador de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) em nosso município e a sua paralisação, ainda que temporária, vai nos causar transtornos, acrescentou. Segundo Milton Ferreira, a medida poderá afetar o plano de metas e comprometer o cronograma de obras e investimentos no município. Ele acredita que a prefeitura vai ter de rever seu planejamento em função da queda da arrecadação e cortar gastos. Acho que todo o Vale do São Lourenço que inclui ainda os municípios de Juscimeira, Dom Aquino e São Pedro da Cipa será atingido e passará por dificuldades. Ele disse que em Jaciara, o prefeito Max Joel Russi, está bastante preocupado e já acionou sua equipe econômica para buscar alternativas. A prefeitura não está medindo esforços para encontrar outras soluções e minimizar o impacto do desemprego e da queda da arrecadação na região. Precisamos encontrar uma forma de inserir o pessoal que está parado novamente no mercado de trabalho. O secretário informou que os prefeitos da região estão trabalhando em conjunto. Estamos mostrando o potencial do nosso município em outras regiões, visando atrair investimentos e gerar empregos. Já mantivemos contatos com várias empresas, inclusive na área do turismo, e nos próximos dias iremos visitar a Feira de Móveis do Paraná (Movelpar). Queremos também diversificar a nossa produção para suprir esta perda. Milton Ferreira informou que no início do próximo mês está prevista a visita dos diretores da Perdigão ao município, que irão estudar a possibilidade de se instalar na região. CRISE Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool), Jorge dos Santos, o principal motivo para o Grupo ter entrado com pedido de recuperação judicial foi a crise financeira mundial. As usinas estão sem capital de giro para trabalhar e dependem de recursos dos bancos, disse, acrescentando que nem sempre as empresas são atendidas na hora que precisam. Quando isso acontece há um descontrole total, pois muitas vezes a empresa já fez os investimentos e não tem onde buscar o dinheiro. Para se ter uma idéia, no final do ano passado as usinas não estavam nem conseguindo trocar duplicatas nos bancos, o que era absolutamente corriqueiro em outros tempos. Santos citou o exemplo de uma planta que investiu em tecnologia e, depois de aprovado o projeto, o banco não liberou o financiamento. A usina corre o risco inclusive de ter problemas para dar continuidade à safra.