ECONOMIA
Sábado, 15 de Dezembro de 2007, 11h:50
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CENTRÃO
Driblando a concorrência
Comércio de rua prova que expansão dos shoppings não afeta. 2007 será o melhor ano, após cinco operando no vermelho
TANIA NARA MELO
Da Reportagem
Depois de amargar perdas por mais de cinco anos, o comércio da região central de Cuiabá comemora a recuperação das vendas e sinaliza o fechamento do ano com saldo positivo. A continuar o fluxo de vendas no ritmo verificado desde o início do segundo semestre e intensificado nas últimas semanas, a recuperação será da ordem de 10%. O presidente do Sindicato Intermunicipal do Comércio de Tecidos, Confecções e Armarinhos, Roberto Peron, está otimista, mas diz que apesar de fechar no azul, os números estão muito aquém do que o setor perdeu nos últimos anos. Esse resultado, mais do que ser bem-vindo, põe por terra tese de que o comércio de rua está sendo sufocado com a expansão dos shoppings centers. Isso demonstra que apesar da migração de algumas redes locais para os shoppings e o crescimento das vendas via internet, o comércio na área central ainda mantém um público fiel e que aposta nos seus produtos, preços e condições de pagamento. A expansão das redes, com abertura de filiais nos shoppings, também é vista com otimismo por Peron. Segundo ele, isso amplia o mercado e é fato comum nos grandes centros. Essas lojas atendem um público diferenciado e com a mudança do perfil econômico se abrem novas frentes. Peron acredita que a ida de algumas lojas de grande porte para os shoppings acaba dando maior visibilidade ao centro e serve de referencial. Ele ressalta, ainda, que não há diferenciação nos preços oferecidos pelas lojas que expandiram sua atuação além do centro. O que existe, na verdade, é uma diferença de produtos e marcas, até porque aqueles ofertados nos shoppings têm maior valor agregado. O presidente da Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT), Pedro Nadaf, vê a expansão do comércio como um processo natural de ocupação de espaço. Para ele, o centrão jamais vai desaparecer. O que vai ocorrer é a substituição dos espaços por outros. O que está ocorrendo em Cuiabá no momento é um processo natural pelo qual já passaram outras capitais. Nadaf diz que é necessário construir centros comerciais nos bairros. E mais, que o Brasil precisará rever o conceito de abertura de shoppings nas áreas urbanas. É uma situação que começa a ser rediscutida. Quanto à possível retração do comércio na área central em virtude da expansão de redes locais e chegada de novas aos shoppings, Nadaf, assim como Peron, também acredita que as lojas de rua vão manter sua comercialização e que o diferencial está na marca e tipo de produto. Até porque, com a democratização da internet, o consumidor tem referencial de preços e quem não tiver bom preço não comercializará seu produto. Na verdade, o que está acontecendo e vai crescer mais é a polarização das grandes redes. Isso já ocorreu em outras regiões. É uma tendência!