ECONOMIA
Sábado, 09 de Novembro de 2013, 12h:56
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MILHO 2014
Decisão será econômica
Ritmo de plantio da soja sinaliza boa janela ao cereal na segunda safra, mas, no momento, clima é o que menos preocupa
MARIANNA PERES
Da Editoria
Todo ano nesta época, sojicultores mato-grossenses que costumam fazer safrinha com milho estão correndo para finalizar o plantio da oleaginosa e assim assegurar janela ideal à semeadura do cereal até meados de fevereiro, período agronomicamente recomendado. Mesmo acelerando as plantadeiras com a soja e mantendo o perfil de semear boa parte das lavouras com variedades semiprecoces e precoces, neste ano, não há motivação para se pensar no milho como grande alternativa financeira à segunda safra. Depois de estrelar os campos como vedete do agronegócio estadual, a decisão em se plantar ou não o milho safrinha, em Mato Grosso, está mais do que nunca na mão do produtor e essa disposição está calcada na questão econômica e não alicerçada somente em parâmetros e critérios técnicos. Os baixos preços à saca atual e a falta de mercado rentável em 2014 tornaram o cereal, até este momento, inviável para quem pensar nele como um agregador de renda à safra 2013/14. Para se ter uma ideia, a saca fechou outubro cotada na média estadual a R$ 10,43/sc, bem semelhante à média de setembro de R$ 10,47/sc. Como a safra 2013 foi altamente tecnificada, o custo de produção subiu na mesma proporção e o valor atual não cobre o investimento de cerca de R$ 12 a R$ 16 para se produzir uma saca, cifra que varia conforme a região de plantio e os insumos utilizados. Como aponta o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ao considerar as médias mensais de preços de janeiro a outubro sendo outubro o de menor cotação a saca obteve R$ 13,02. Como explica o analista Ângelo Ozelame, do Imea, o tamanho da segunda safra com milho e seu volume, pelo menos até o momento, não têm influência alguma com andamento da safra de soja e não há temores junto ao clima. O grande fator limitador da semeadura ou não do milho segunda safra deve ser mais econômico do que técnico, garante. Ele lembra que ano passado o milho foi semeado bem tardiamente e mesmo assim os produtores tiveram uma boa produção. O Estado colheu um recorde de mais de 22 milhões de toneladas. Lá atrás, o produtor decidiu-se for apostar no milho e investiu em tecnologia, mesmo tendo contra si o fator clima. Neste ano a estratégia deve se basear no seguinte raciocínio: quanto o produtor está disposto a ariscar para semear o milho?. CENÁRIO - A falta de perspectivas de retorno financeiro com o milho segunda safra deve interferir novamente no desenho da segunda safra estadual, como acredita o Imea. No ano passado, as boas oportunidades do mercado já movimentavam os futuros do milho muito antes do seu plantio. A cinco meses da semeadura, toneladas estavam vendidas antecipadamente e isso impactou na safrinha com algodão, algo que não deve ocorrer em 2014. Como explica Ozelame, na safra 2012/13, o mercado aquecido para o milho e a soja mudou o perfil da cotonicultura estadual. A área destinada à safrinha, em Mato Grosso, levou ao maior plantio do algodão na segunda safra (70%) e 30% na primeira safra. Para este novo ciclo, os levantamentos da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), indicam 50% e 50%, respectivamente. A SOJA Em Mato Grosso a precocidade do plantio da soja objetiva aproveitar a mesma área cultivada anteriormente com a cultura que é o carro-chefe do agronegócio estadual e, assim, obter duas rendas em um mesmo ciclo. A partir da colheita da oleaginosa, em meados de janeiro, tem início o plantio do milho. O milho precisa aproveitar ao máximo a temporada das chuvas para se desenvolver, por isso, sua janela de cultivo que vai até meados de fevereiro, em Mato Grosso. O andamento da semeadura da soja serve de termômetro para se estimar o tamanho da safra de milho, que até há dois anos costumava cobrir 30% da sojicultura, percentual que foi ampliado nas últimas duas safras. Como observa Ozelame, se o ritmo do plantio da soja fosse decisivo para a safrinha de milho, o plantio estaria assegurado, porque até o final de outubro mais de 5 milhões de hectares estavam cultivados com soja, superfície suficiente para abrigar o cereal que deve ocupar em 2014 3,35 milhões de hectares, redução anual de 9,33%. Como lembra, no ano passado, a semeadura durou 11 semanas. Nesta safra ela está mais adiantada, porém isso não quer dizer que acabe antes como adverte. Mas, até o momento, o fator clima não seria o limitador da área plantada com cereal.