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ECONOMIA
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009, 20h:01

VIDEOLOCADORAS

CVC Vídeo deixa mercado

Depois de 20 anos de existência, a maior rede de locação de filmes de MT sucumbi à pirataria de DVDs

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
A CVC Vídeo, uma das mais antigas redes de videolocadoras de Cuiabá, será extinta do mercado local no próximo mês, vencida pela pirataria desenfreada de DVD’s na Capital. Após 20 anos de funcionamento, a empresa fechará as duas lojas restantes no dia 31 de julho, no desfecho de um processo de achatamento da rede que começou no ano passado, quando ainda contava com 11 unidades. Para amenizar os prejuízos acumulados nos últimos meses, as duas filiais deflagraram no último final de semana um feirão dos DVD’s, vendidos a R$ 2,99 cada. A CVC encerra as operações com o fechamento das portas das lojas da Praça 8 de Abril, ao lado do Choppão, e na Avenida do CPA. De acordo com um dos donos da rede, Renato Vargas, essas eram as únicas unidades que entre os 11 pontos de locação apresentavam até então “saldo azul” no balanço financeiro, em avaliação realizada em meados do ano passado, quando começou o processo de fechamento de lojas. Em julho de 2008, cinco delas foram desativadas. Em setembro, mais quatro pontos foram fechados. Um ano depois de deflagrado o processo de redução das atividades, a CVC, criada em dezembro de 1988, sai de cena definitivamente do mercado. “De lá para cá, o faturamento das duas que ainda estavam no azul também veio morro abaixo”, lamenta Vargas. Os 14 funcionários restantes do corpo profissional que chegava a 120 pessoas nos tempos das 11 unidades já foram comunicados sobre o fechamento. Agora, resta aos proprietários apenas a expectativa de que o feirão de DVD’s liquide os mais de 50 mil títulos em estoque. Considerando o os R$ 2,99 cobrados por unidade, a rede pode faturar com a liquidação até R$ 150 mil, aproximadamente. Renato Vargas destaca que o começo da promoção de despedida do mercado, no final de semana, foi animador. Ao mesmo tempo, não esconde o tom de saudosismo. “As lojas ficaram lotadas como nos velhos tempos. Só que desta vez os DVD’s não vão mais voltar”. Ele frisa que esse mesmo forte movimento é a prova de que o mercado formal de locação de DVD’s é sufocado cada vez mais pela venda de exemplares piratas. “Essa procura pelo feirão mostra que o hábito de assistir filmes existe. As pessoas têm esse costume e gostam”. Diante dos prejuízos com o avanço da pirataria, conforme relata Vargas, a saída de emergência não foi outra senão a mais radical: “colocar um ponto final nos 20 anos de existência da rede”. A empresa é familiar. Hoje, conforme conta um dos proprietários, os demais membros da família detêm investimentos em outras áreas ou atuam profissionalmente em outros segmentos. Quando questionado sobre em quais circunstâncias a decisão pelo fechamento total despontou, Rodrigo Vargas não poupa críticas à atuação da prefeitura de Cuiabá na repressão à venda ilegal de DVD’s pelas ruas da cidade. “A prefeitura não está fazendo seu papel. A fiscalização só é eficaz para quem está constituído legalmente. Aí sim, para esses empresários, há sempre a cobrança do IPTU e demais impostos. Mas, já para quem está tomando conta das calçadas, o clima é de ‘liberou geral’”, declara. AÇÃO - A gestão municipal rebate as queixas do empresário, mas admite que a capacidade de fiscalização é muito aquém da tamanha ramificação da comercialização ilegal pela cidade. De acordo com o diretor de Gerenciamento Urbano da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, Lino Bispo de Souza, a Pasta conta com uma equipe de dez fiscais para vasculhar toda a cidade, que se revezam nos turnos da manhã e da tarde, sob a chefia de dois gerentes. “Estamos fazendo um trabalho de repressão e apreensões constante, mas, infelizmente, a cada 1 mil que se apreendem, eles (contraventores) aparecem com mais 10 mil nas ruas”.

Edição EDIÇÃO 16960




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