Corte anunciado por Obama agrada, mas não é suficiente
A proposta de orçamento para 2010 apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi bem recebida no Brasil, mas não chega a empolgar produtores rurais e especialistas do setor agrícola. Entre as novas regras propostas estão o fim dos subsídios aos grandes produtores rurais, a fixação de um teto de US$ 250 mil para os programas de apoio financeiro governamental e a redução dos subsídios ao seguro agrícola. O deputado Luís Carlos Heinze (PP-RS), da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou que o fim dos subsídios agrícolas internacionais está, há algum tempo, entre as principais discussões dentro do Congresso brasileiro, e se diz satisfeito com o posicionamento do presidente norte-americano. O primeiro passo ele está dando e o aplaudimos. Enquanto os agricultores norte-americanos recebem altos subsídios, os nossos estão com o dinheiro encalacrado no bancos. Por isso a dívida do setor é de R$ 120 bilhões, disse. Saulo Nogueira, pesquisador do Instituto Icone, não está otimista quanto ao impacto econômico das medidas de Obama sobre a produção e as exportações brasileiras. Segundo ele, nos Estados Unidos há dois milhões de propriedades rurais e apenas 110 mil faturam acima de US$ 500 mil por ano e serão excluídas dos programas de ajuda financeira do governo. Muitos dos produtores que hoje competem com o Brasil são de médio porte e continuarão recebendo subsídios, afirmou. E ele pondera ainda que, é difícil estimar o real impacto porque não se sabe até que ponto esse subsídio direto afeta a produção destas grandes propriedades, eles podem conseguir outras linhas de financiamento.