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ECONOMIA
Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:14

IPI

Carros novos têm o melhor trimestre dos últimos anos

Trescinco, há 37 anos no mercado, teve o melhor início de ano desde a fundação

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A redução e isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados para carros zero quilômetro garantiu o melhor primeiro trimestre dos últimos anos para as concessionárias de veículos de Cuiabá, mesmo sob uma turbulência financeira que gera insegurança e pessimismo. De acordo com as revendedoras, o aquecimento foi tão forte que chegaram a faltar carros para pronta-entrega. “Até hoje ainda temos fila de compradores em nossa loja”, contam os vendedores. O bom momento deverá se alongar até o final do semestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou ontem, a prorrogação da redução do IPI para veículos novos por mais três meses. A medida valerá agora até 30 de junho. Com isso, a alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0, permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caem em média de 5% a 7%. Nas lojas de Cuiabá, as taxas de juros caíram de 2,50% para 1,60%, os prazos de financiamento foram mantidos em até 60 meses e as compras estão sendo feitas sem a exigência da entrada. Com isso, o valor médio das vendas, que era de R$ 35 mil, aumentou para R$ 40 mil, passando longe de modelos classificados como populares. A Trescinco, concessionária Volkswagen, contabiliza este ano incremento de 43% nas vendas em relação ao período de janeiro a março de 2008. “Para nós foi muito bom, ficou até melhor do que estava antes da crise”, diz Sander Endo, gerente de Vendas. Segundo ele, este foi o melhor primeiro trimestre de todos os tempos e “ficará marcado na história dos 37 anos da loja”. A procura na Trescinco foi tanta que muitos modelos chegaram a faltar no mercado. “Alguns modelos, como o Voyage e o Gol, ainda estão em falta e há fila de espera”. No caso do Voyage, o prazo de entrega chega a 60 dias. “A venda de carros de alto padrão, acima de R$ 50 mil, também melhorou”, conta Sander. Paulo César do Carmo, vendedor da Monza Veículos, avalia o primeiro trimestre de 2009 como o melhor dos últimos anos. “O nosso crescimento ficou entre 30% e 40%. O resultado nos surpreendeu”. Ele diz que os modelos mais procurados pelos clientes da revenda foram Ford Ka, Fiesta, EcoSport e Ranger, pela ordem. “Até hoje ainda temos falta de alguns modelos para entrega imediata”. No caso do Ford Ka, a entrega pode demorar até 40 dias. No caso do Fiesta, a concessionária pede até 25 dias para entregar o produto ao cliente. “A procura está intensa e o mercado está muito aquecido. Acreditamos que se a isenção do IPI continuar, as vendas vão continuar aquecidas”. A concessionária Fiat Domani também faz uma avaliação positiva do primeiro trimestre do ano. Sem revelar percentual, o supervisor de vendas da loja de Cuiabá, Eduardo Alves, diz que houve forte incremento de vendas no período de janeiro a março. “Foi muito bom mesmo, ficou acima do que esperávamos”. Palio e Uno foram os modelos mais vendidos pela Domani. IPI – Ontem, antes da confirmação da prorrogação do IPI, o coro era o mesmo nas concessionárias de Cuiabá: “A isenção do IPI mexeu com o consumidor e refletiu diretamente nas vendas. O incentivo tem que ser prorrogado”, afirmou o gerente de Vendas da Trescinco. Eduardo Alves, supervisor da Domani em Cuiabá, também defendia a manutenção da medida para o governo federal manter a produção industrial e o emprego. “Nem imaginamos a hipótese do retorno do IPI”, afirma o vendedor Paulo César do Carmo, da Monza Veículos. Na avaliação do ex-presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Mato Grosso (Sincodiv), Carlos Bôscolo, a isenção do IPI deveria ser prorrogada por pelo menos 90 dias. “A isenção é importante para a manutenção do aquecimento das vendas. Os consumidores estão motivados e, se a medida cair, poderemos ter queda de produção industrial e do nível de empregos”, diz.

Edição EDIÇÃO 16964




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