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ECONOMIA
Terça-feira, 23 de Abril de 2013, 20h:27

FAMATO

Candidatura confusa

Em ambiente tenso, sindicalistas definem hoje se atual presidente, Rui Prado, será ou não candidato

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
A votação é secreta e a definição da regra misteriosa e, ao que tudo indica, sairá da esfera sindical desembocando na Justiça. E eleição para a nova diretoria da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) acontecerá em 14 de maio, mas hoje terá seu verdadeiro dia “D” quando em assembleia presidentes dos sindicatos rurais decidirão se a impugnação da candidatura à reeleição do presidente Rui Carlos Ottoni Prado, determinada pela Comissão Eleitoral da Famato, será ou não mantida. Se o resultado de hoje for aceito pelas duas chapas que disputam a eleição, o pleito entra na chamada reta final da campanha eleitoral. Qualquer das partes que discordar recorrerá à Justiça. O pleito é disputado por uma chapa encabeçada por Antônio Galvan, de Sinop (%03 quilômetros ao norte de Cuiabá), e outra, liderada por Rui Prado. O presidente do Sindicato Rural de Cuiabá e candidato a vice-presidente da Famato, Jorge Pires, sustenta que a candidatura de Rui Prado fere o estatuto da entidade e seu nome sofreu impugnação, porque a Comissão Eleitoral também entendeu assim. O presidente discorda e apresentou recurso, que será julgado hoje, pelos presidentes dos sindicatos. Em tese seria simples aos presidentes dizerem sim ou não. Esses sindicalistas ainda tentaram facilitar o desfecho do caso, numa tomada de posicionamento consensual para que os presidentes de sindicatos que integram as chapas em disputa não votassem, em nome da máxima isenção. Porém, o grupo ligado a Galvan alega ter descoberto uma manobra de Rui Prado, que teria orientado os componentes de sua chapa para que peçam licença por 15 dias, e que combinem com seus vice-presidentes para que esses votem por sua absolvição. A tal manobra gerou clima tenso na disputa. Os presidentes são reticentes e evitam falar com a imprensa. Do grupo de presidentes ligados a Rui Prado, somente Alex Utida, de Campo Novo do Parecis – o município de Rui Prado – comentou sobre a assembleia afirmando que votará, mas não revelou se favorável ou não à impugnação. O único presidente que está afastado por licença médica é Eliezer Alves de Carvalho, que há mais de 20 anos preside o Sindicato Rural de Guiratinga. Ele está internado em Mineiros (GO) onde na segunda-feira, 22, foi submetido à cirurgia após ser vítima de trombose no intestino. Eliezer passa bem, segundo sua assessoria. A assembleia definirá se a candidatura de Rui Prado será ou não mantida. Em caso negativo sua chapa terá de escolher outro candidato a presidente. ESTATUTO – O estatuto da Famato permite a reeleição, mas veda o terceiro mandato consecutivo. Em 11 de maio de 2007, Rui Prado foi eleito vice-presidente numa chapa encabeçada, pelo hoje deputado federal, Homero Pereira. Em 27 de outubro daquele ano, Homero deixou a Famato para se dedicar ao mandato parlamentar e Rui assumiu a presidência. Em 14 de maio de 2010, Rui Prado foi reeleito presidente da Famato e cumpre mandato de três anos. Agora tenta o terceiro mandato consecutivo. A Famato é uma instituição fechada e caracterizada por longas permanências de sindicalistas à sua frente. Suas eleições são disputadas discretamente e, quase sempre de modo consensual. A entrada de Galvan na disputa é considerada divisor de época e vista como oportunidade para renovação das lideranças sindicais do segmento econômico mais importante de Mato Grosso, o agronegócio.

Edição EDIÇÃO 16968




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