ECONOMIA
Sábado, 12 de Maio de 2007, 13h:02
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SOJA 07/08
Câmbio e insumo serão novamente vilões
Conjunção dos dois fatores poderá resultar em mais dor de cabeça aos sojicultores, que ainda não se recuperaram da crise dos últimos anos
ANELIZE MORENO
Da Reportagem/Rondonópolis
Os sojicultores mal puderam respirar aliviados após duas safras de crise e já começam a ter mais dores de cabeça. A conjunção de dois fatores: câmbio e preço alto dos insumos poderá ser novamente a grande armadilha do próximo ano agrícola (2007/2008). A desvalorização de 5,25% no preço do dólar em relação ao real registrada desde o início deste ano, somada à depreciação acumulada desde o segundo semestre de 2004, resulta em perdas de 36,42% apenas em função do câmbio. A moeda norte-americana iniciou este ano cotada a R$ 2,13, mas após uma série de baixas fechou todos os dias da última semana na casa dos R$ 2,02. Há três anos, o dólar chegou a bater a casa dos R$ 3,17 época de ouro para a agricultura mato-grossense, quando os índices de produção de soja bateram o recorde histórico. Na safra 04/05, Mato Grosso chegou a colher 17,937 milhões de toneladas da oleaginosa. Contudo, a depressão no câmbio a partir do segundo semestre de 2004, quando o planejamento da safra já estava fechado, fez com que no ano seguinte os agricultores entrassem em uma crise sem precedente. Em abril de 2005, quando teve início a comercialização da safra de soja daquele ano, o dólar já estava na casa dos R$ 2,50, ou seja, já tinha desvalorizado 21%. Resultado: preço alto dos insumos (adquiridos quando o dólar passava dos R$ 3) e baixo valor de venda do grão. Na safra 05/06 os reflexos dessa combinação resultaram na queda de 11% na produção do grão, que rendeu apenas 15,877 milhões de toneladas. Na safra atual, o volume de produção teve novo corte, retroagindo a quase os mesmos números da safra 03/04 penúltima antes da crise. Nesta safra, os produtores de soja do Estado colheram apenas 15,274 milhões de toneladas de soja menos 3,8% em relação ao ano agrícola anterior. Há três safras, o volume foi de 15,008 milhões de toneladas do grão. Os fatores que levaram à crise naquela época são praticamente os mesmos que podem novamente trazer problemas para os agricultores, principalmente com a tendência de baixa no preço do dólar. O operador comercial da Produza Agronegócios Corretora de Commodities, Wilson de Souza Bezerra, destaca que hoje um dos maiores entraves para os agricultores continua sendo o câmbio. Segundo ele, a tendência é que o dólar caia abaixo dos R$ 2, apesar da atuação constante do Banco Central na tentativa de conter a valorização da moeda brasileira. O mercado vem revalando constantemente que a moeda poderá chegar a dezembro próxima cotada a R$ 1,99.