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ECONOMIA
Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011, 07h:04

SOJA 11/12 – II

Alta do dólar não traz entusiasmo

MARIANNA PERES
Da Editoria
Os recordes seguidos da cotação do dólar registrados principalmente nos últimos dias, pelo menos neste momento, não entusiasmam e nem interferem no curso da nova safra de soja que começou a ser plantada em Mato Grosso. Com pouco grão disponível no mercado e com insumos já adquiridos, a valorização cambial passa batida, sem influencias positivas ou negativas. Ontem, o dólar comercial oscilou entre R$ 1,803 e R$ 1,768, sendo negociado por R$ 1,789 nas últimas operações, um aumento de 0,50% em relação ao fechamento de anteontem. Trata-se de mais um patamar inédito para o preço da moeda americana neste ano: desde 1º de julho de 2010 o mercado de câmbio doméstico não fixava uma taxa de encerramento desse nível. A cotação do dólar já subiu 13,7% desde o final de julho, quando o dólar bateu seu ponto mais baixo deste ano. Em 2011, o valor dessa moeda já acumula valorização de 7,4%. Como explica o diretor executivo da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Seneri Paludo, da safra “velha”, 10/11, resta muito pouco grão na mão do produtor para ser comercializado neste período de alta do dólar. No caso de alta sobre os insumos, neste momento tudo que estará em uso no plantio da nova safra está comprado. “A expectativa é de que a alta do dólar se mantenha neste nível até meados de fevereiro do ano que vem, quando estaremos no pico da colheita e, portanto, aptos a aproveitar o bom momento. No entanto, até lá, tem chão e não sabemos ao certo como o mercado continuará reagindo às cotações da moeda norte-americana”. De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 94% da produção de 20,56 milhões de toneladas da safra passada estão comercializados. Conforme informações da AgRural, os negócios de ontem foram marcadas por preços em alta e poucos negócios registrados. A soja fechou o dia com leves ganhos na Bolsa de Chicago, de cerca de 2 pontos para cada contrato. “Esse movimento impulsionou os preços da soja comercializada no Brasil e foram os portos nacionais que reportaram a valorização mais intensa da saca nesta terça”. Ainda segundo a AgRural, em Mato Grosso, o mercado da soja trabalhou com preços mais altos. “Em Rondonópolis, referências de R$ 43,80 para a soja balcão, R$ 45 para a disponível e US$ 23,10 para entrega em março. Em Sorriso, o comprador ofereceu R$ 41 pela soja disponível, R$ 40 para a mercadoria de balcão e US$ 21,50 para entrega em março, mas a comercialização ficou parada. Em Campo Novo do Parecis, compra ao redor de R$ 40,30 no balcão, R$ 41 no spot e US$ 22 para março de 2012. Em Sapezal, indicações de R$ 40,50 para a soja disponível, R$ 39,30 no balcão e US$ 22 no mercado futuro”. CUSTO - De acordo com o levantamento de custo da produção de soja, realizado pelo Imea, houve um aumento no custo total de 10% com relação ao mesmo período do ano passado, R$ 151/ha, considerando preços correntes. A alta dos custos com insumos (sementes, fertilizantes e defensivos) também foi de 10%, alcançando R$ 847,35/ha. Deste montante, R$ 497,54 foram direcionados à compra de fertilizantes, maior variante nos custos. De agosto de 2010 a agosto de 2011 o custo médio com fertilizantes subiu 23% apesar de uma queda de 3% em relação a julho deste ano. Já a variação do custo fixo nos 12 meses incorre do aumento no preço da commodity que consequentemente eleva o custo com arrendamento de terras. FUNDAMENTOS - "Não há, no nosso entendimento, fundamentos críveis que possam levar o real a uma depreciação expressiva, e, dentro do conceito flutuante, deve ter a curva apontando para um preço no intervalo de R$ 1,60 a R$ 1,65 ao final do ano", afirma o economista e diretor da NGO Corretora, Sidnei Nehme, em seu boletim diário sobre o mercado de câmbio. Para o economista, Alcides Leite, vão ocorrer picos de alta, como o registrado nos últimos dias, em consequência de turbulências na economia mundial, mas com posterior estabilização. De acordo com Leite, trata-se de um movimento natural provocado pelas dificuldades de crédito de alguns países europeus, como é o caso da Grécia. (Com Agência Brasil e Folha On line)

Edição EDIÇÃO 16964




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