ECONOMIA
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010, 21h:11
A
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INFLAÇÃO
Alimentos chegam mais caros à mesa do cuiabano
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O primeiro quadrimestre do ano começou com um forte movimento de alta nos preços das frutas, hortaliças e leite em Cuiabá. Tanto nos supermercados quanto nas feitas livres e centros de abastecimento, os preços sofreram considerável elevação nas primeiras semanas de abril, movimento sentido no mês anterior por outros alimentos. A explicação é que os produtos são sazonais e, devido às chuvas do começo do mês, o volume de produção caiu. No caso dos hortifrutis, a majoração dos preços é generalizada. A alta ficou acima de 30% em relação aos preços de fevereiro, segundo cálculo dos comerciantes. O tomate é o grande vilão. Na semana santa, chegou a ser vendido por até R$ 7/Kg e, ontem, muitas bancas na feira do Mercado do Porto, na Capital, vendiam o produto por R$ 5/Kg. Nos supermercados, o tomate também lidera a alta inflacionária, sendo vendido em média por R$ 4,50/Kg. Praticamente todos os produtos, segundo pesquisa realizada pelo Diário junto ao Mercado do Porto, sofreram elevações nas últimas semanas. Além do tomate, a batata acompanhou a alta e está sendo vendida por R$ 4,30/Kg. A cebola também sofreu majoração (R$ 3,50), a exemplo da cenoura (R$ 3), chuchu (R$ 2,80), berinjela (R$ 2,50) jiló (R$ 4,80), pepino (R$ 2,20), maxixe (R$ 4,80) e abobrinha (R$ 3,50). As folhas também tiveram alta no mês de abril. O maço da alface chegou a ser vendido ontem no Mercado do Porto por R$ 3, enquanto a couve custava R$ 2/maço. No período da safra, o pé de alface e da couve chega a ser vendido por até R$ 0,75 nos mercados e feiras livres. O repolho foi outro produto que também aumentou de preço, sendo vendido ontem por R$ 3/Kg. Já o maço da cebolinha, do coentro e da salsa custava R$ 0,50, contra a média de R$ 0,30 em época de safra. Além da alta, os maços estão menos vistosos e mais finos. Nesta época do ano chegamos a registrar perda de até 30% no caso das folhas. Os consumidores são bastante exigentes e qualquer defeito é motivo para eles rejeitarem a compra. O revendedor, por sua vez, tem de selecionar os produtos de forma criteriosa para diminuir a rejeição por parte do consumidor. Este processo acaba gerando perdas aos vendedores, uma vez que boa parte dos produtos é descartada. À exceção das folhas, os demais produtos das feiras livres registram perdas entre 15% e 20%. Rosilma afirma que o período de chuvas é o principal fator de alta nos preços. A oferta cai e, consequentemente, os preços sobem porque a demanda se mantém elevada. FRUTAS - As frutas também acompanharam o movimento altista das hortaliças e legumes. A laranja estava sendo vendida por até R$ 1,50/Kg, a maçã nacional, R$ 4, banana maçã por R$ 2,99 e, poncã, R$ 2,80. (Veja quadro ao lado) A ascensão dos preços já havia sido apurada pela KGM Comunicação que realiza o levantamento mensal dos preços da cesta básica em Cuiabá. Conforme dados coletados em março, a cesta básica em Cuiabá registrou, a maior inflação dos três primeiros meses de 2010. A variação mensal, março contra fevereiro, revelou majoração de 5,4% sobre os produtos que compõe a cesta, ao atingir R$ 238,16, contra R$ 225,97 no mês anterior. Nos dois primeiros meses do ano as altas não atingiram 2%. No mês passado, a pesquisa mostrou que os grandes vilões foram o feijão, que subiu 62,94%, seguido do tomate (25,40%) e da batata (18,44%). Com isso, a cesta básica na Capital cedeu a terceira posição que vinha ocupando desde o início do ano e encerrou o trimestre em quarto lugar no ranking nacional, atrás de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. ORIGEM - De acordo com a administradora do Mercado do Porto, Rosilma Tibaldi, os preços tiveram elevação neste primeiro quadrimestre do ano devido ao período de chuvas que dificultam a produção de hortifrutis. Ela explicou que a maioria dos produtos consumidos nas feiras livres de Cuiabá é oriunda de outras regiões do país. Exceção das folhas que tem 90% da sua produção na região. Chapada dos Guimarães e a região da Serra de São Vicente são os principais fornecedores. Os demais produtos frutas e legumes, principalmente vêm de outros estados como São Paulo, Paraná, Goiás e até Pernambuco, informa agrônomo Valderlei Aparecido dos Santos, responsável pelo Núcleo de Coleta de Pesquisa de Preços de Hortifrutis do Centro de Abastecimento de Cuiabá. Ele diz que os preços sofreram elevação devido ao período da entressafra das hortaliças e frutas. Com o excesso de chuvas nesta época do ano, os custos para controlar as doenças e pragas nas plantações aumentam e a produção cai e o clima também que não favorece o desenvolvimento e a produtividade das plantas, explica. Vanderlei dos Santos acredita que só a partir de maio os preços dos hortifrutis voltarão ao normal. (Colaborou Marianna Peres)