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ECONOMIA
Quarta-feira, 08 de Julho de 2015, 20h:23

SEGURO-EMPREGO

Adesão ao PPE pede cautela

Mesmo sendo uma medida bem avaliada pelo segmento patronal, programa federal pode não surtir efeito

MARIANNA PERES
Da Editoria
Entidades patronais que representam importantes setores da atividade econômica mato-grossense, como comércio, serviços e indústrias, validaram a Medida Provisória que criou o Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que tem como objetivo assegurar a empregabilidade e a renda dos trabalhadores. O objetivo é o de evitar novas pressões negativas sobre as performances de produção e vendas desses segmentos, que estão sob dificuldades desde o início desse ano, com a queda do poder de compra dos consumidores. Conforme o governo federal, o PPE permite a redução da jornada de trabalho e do salário em até 30% para empresas com problemas financeiros temporários. A União irá complementar a perda salarial do trabalhador em 50% por meio de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), limitado a R$ 900,84, que é 65% do maior benefício do seguro-desemprego, cujo valor é R$ 1.385,91. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em uma redução de 30% da jornada, por exemplo, um trabalhador que recebe hoje R$ 2.500,00 de salário, quando entrar no PPE passará a receber R$ 2.125,00, sendo que R$ 1.750,00 serão pagos pelo empregador e R$ 375, com recursos do fundo. O presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), Jandir Milan, frisa que a MP traz uma nova experiência ao mercado brasileiro e é positiva, pois tem como intuito evitar demissões, que como aponta, só irão ampliar a extensão e a duração da crise brasileira, pois cada vez mais o consumo estará em retração pela falta de renda da população desempregada. “Mas a adesão ao PPE é uma decisão difícil, pois a crise nacional não pôde ser dimensionada e não temos como prever, por exemplo, se a produção de uma determinada indústria vai de fato cair até 30%. Se cair 50%, a MP não cumprirá seu papel, a empresa aumentará sua crise financeira porque não poderá demitir mais os trabalhadores mesmo com a ociosidade ultrapassando os 30%”. Como explica, para aderir ao PPE, o gestor tem de ter certeza de que seu negócio vai ter retração de até 30%. “E esse é um aconselhamento difícil de se fazer nesse momento. Até outubro tudo ia bem no país. A presidenta se reelegeu. Depois disso a máscara que cobria a performance da economia brasileira caiu e ninguém sabe, de fato, a extensão da crise do país. O governo quer garantir empregos e isso é muito bom para a economia geral, no entanto, a adesão é caso a caso, requer muita cautela”. Indagado sobre o perfil das indústrias que poderiam fazer uso do PPE, Milan voltou a frisar que a crise abateu todo mundo e que fica difícil saber quem realmente pode lançar mão do Programa. “Acredito, nesse momento, que as indústrias que correm menos risco de contabilizar queda de mais de 30% na produção são as alimentícias, como as frigoríficas que abatem bovinos. Mas mesmo com a segurança de que há consumidor para o seu produto, o gestor tem de saber exatamente o que está gerando sua crise financeira, e principalmente, perspectiva segura para sua produção nos próximos meses”. A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT) também se posicionou favorável ao PPE. Segundo o presidente, Pedro Nadaf, a iniciativa é positiva por preservar empregos e minimizar custos para as empresas, que vivem em momento de crise, ditado pelo próprio quadro recessivo do país. Ele acredita que haverá adesão empresarial, dos negócios aptos a participar do PPE, sendo que nem todos empreendimentos dos setores produtivos estarão enquadrados, devido ser necessário ainda se definir pela equipe governamental a base em indicadores econômicos e financeiros. “Em época de crise todas as alternativas legais devem ser analisadas e aplicadas pela sustentabilidade e preservação das relações entre o capital e trabalho. Acredito que no segmento do comércio, que é dos maiores empregadores do país, haverá consenso entre ambas as partes: de quem gera emprego e de quem colabora com a força do seu trabalho para o desenvolvimento econômico”. O PPE - A adesão das empresas ao programa dependerá de acordo coletivo com os trabalhadores e pode ser feita desde a última segunda-feira. O período de validade para a utilização do programa pelas empresas é de seis meses, prorrogável por mais seis. A adesão vai até o fim deste ano. Essas empresas, então, não poderão dispensar os empregados que tiveram sua jornada de trabalho reduzida, enquanto vigorar a adesão, e pelo prazo de 1/3 do período da adesão, ou seja, dois ou quatro meses depois do fim do Programa. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, disse que o governo federal vai continuar acompanhando a conjuntura econômica, mas acredita que o PPE será desnecessário em 2017. O orçamento inicial é de R$ 100 milhões.

Edição EDIÇÃO 16964




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