ECONOMIA
Terça-feira, 07 de Julho de 2009, 20h:43
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Acrimat questiona o pagamento da dívida
Com o anúncio de que o grupo Friboi arrendou cinco plantas frigoríficas do Quatro Marcos em Mato Grosso, a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) questiona quem vai ficar com o ônus de pagar uma dívida de mais de R$ 40 milhões com os pecuaristas do Estado, já que o Quatro Marcos está em processo de recuperação judicial. O anúncio deixou claro de que cinco, das seis unidades de abate do Quatro Marcos em Mato Grosso, localizados nas cidades de Cuiabá, Colíder, Juara, Alta Floresta e São José de Quatro Marcos irão retomar suas atividades. Mas, ninguém deixou claro, quem vai pagar a conta que existe com os pecuaristas e o produtor não vai permitir que eles retomem suas atividades sem antes acertarem o que devem, disse o superintendente da Acrimat, Luciano Vacari. Outro ponto observado pela entidade representativa do maior rebanho bovino do Brasil, com 26 milhões de cabeças, é da possibilidade de manipulação de preços, principalmente nas regiões de maior concentração de abate, como Cáceres, Araputanga e São José dos Quatro Marcos. Cabe às entidades representativas ficarem atentas para não permitir que se aproveitem da concentração física e manipulem preços dos animais, disse Vacari. Ele acrescenta que o Friboi será o maior grupo do setor em Mato Grosso com nove plantas (Cuiabá, Colíder, Juara, Alta Floresta, São José de Quatro Marcos, Barra do Garças, Pedra Preta, Cáceres e Araputanga) e que possuiu forte atuação no mercado. Isso é positivo, pois vai aumentar a capacidade de abate já tão comprometida com o fechamento de 15 unidades. O retorno de cinco plantas vai viabilizar o abate diário de cinco mil cabeças e isso é muito importante, mas temos de proteger o produtor de possíveis transtornos com tamanha concentração de poder de abate, disse. CRISE - A crise começou no final do ano passado com o fechamento dos frigoríficos. Das 38 plantas habilitadas a exportar, 15 estão paralisadas, isso afetou 40% da capacidade de abate de bovinos. A dívida dos frigoríficos somente junto aos pecuaristas de Mato Grosso é de R$ 120 milhões. O efeito dominó foi inevitável: 4,8 mil funcionários foram demitidos diretamente, sendo que o impacto social, no entanto é muito maior, chegando a atingir quase 40 mil pessoas. Além disso, R$ 4,2 bilhões deixaram de girar na economia mato-grossense, uma situação que pode representar, em 2009, redução de cerca de 20% do total que o Estado arrecadou em 2008 com o ICMS dos frigoríficos.