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ECONOMIA
Quinta-feira, 02 de Julho de 2015, 19h:17

SINAL VERMELHO

Abate cai e demissão cresce

Unidade Cuiabá da JBS Friboi paralisou as atividades e eliminou cerca de 500 empregos

MARIANNA PERES
Da Editoria
A JBS S.A., um dos maiores processadores de proteína animal do mundo, confirmou ontem a suspensão das atividades da sua unidade frigorífica em Cuiabá (MT). Desde ontem, o abate e o processamento de carne bovina estão paralisados e cerca de 500 empregos foram eliminados. Conforme a multinacional brasileira, a decisão de encerrar o funcionamento da filial cuiabana se deve à baixa disponibilidade de matéria-prima – nesse caso bovinos prontos para o abate - em algumas regiões do país, inclusive no Estado, escassez que tem provocado um sistemático aumento da ociosidade na indústria. Mato Grosso detém o maior rebanho de bovinos do Brasil, com cerca de 28,5 milhões de cabeças. A JBS esclarece que mantinha 494 colaboradores e que está oferecendo “a todos a possibilidade de transferência para outras unidades tanto em Mato Grosso quanto em outros estados. Para aqueles que não aceitarem a transferência, a JBS promoverá o desligamento e a consequente indenização trabalhista, dentro da legislação vigente”. A decisão de suspender as atividades da unidade, como reforça a companhia por meio de nota, havia sido devidamente comunicada ao sindicato representativo da região, no caso o sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Cuiabá e Várzea Grande. A JBS ainda mantém em operação 12 unidades de abate de bovinos em Mato Grosso. Mesmo reforçando sua presença no Estado com 12 unidades em funcionamento, o encerramento desta planta é o segundo realizado no Estado pela JBS, em quase 60 dias. No início de maio a unidade JBS Friboi de São José dos Quatro Marcos também teve os abates suspensos sob a mesma alegação de falta de matéria-prima. Naquele momento mais de 700 pessoas estavam empregadas no frigorífico. De acordo com o Sindicato das Indústrias de Frigoríficos do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo/MT), existem 43 frigoríficos no Estado, mas desse total, 18 já encerraram as atividades nos últimos 24 meses. O prejuízo para a cadeia produtiva da bovinocultura, bem como o impacto econômico das cidades diretamente atingidas ainda não foi contabilizado ou pôde ser mensurado. Mas a escassez de bovinos deverá persistir ao longo do ano. Conforme levantamento realizado trimestralmente pelo IBGE, desde o ano passado o número de animais abatidos vem recuando a cada novo estudo. E 2015 não tem sido diferente. O ano começou com retração nos abates. No acumulado dos primeiros três meses do ano (dados mais recentes divulgados pelo IBGE), o recuo foi de 13,4% quando comparado ao mesmo período do ano passado. O saldo mato-grossense desse trimestre é quase o dobro da redução registrada em nível nacional, que foi de 7,7%. Mesmo com um desempenho negativo, o Estado segue líder no envio de bovinos aos frigoríficos. A REALIDADE – Conforme dados apurados pela Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), por meio dos registros feitos pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea/MT), Mato Grosso oferta em 2015 o menor estoque de bovinos machos, com mais de 24 meses, dos últimos nove anos. Esses bovinos nessa faixa etária é que movimentam as escalas de abate dos frigoríficos e que preenchem a capacidade instalada das plantas. Como destaca a Acrimat, os números da segunda etapa da vacinação contra febre aftosa, realizada em novembro do ano passado em animais de todas as idades, revelam que o estoque de animais machos prontos para abate é 3,9 milhões de cabeças. Esse resultado é reflexo do grande volume de matrizes encaminhadas para o abate entre os anos de 2011 e 2013, estratégia que comprometeu a oferta de animais para reposição nos anos seguintes. A pedido da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) trabalhou em uma perspectiva para o curto prazo, para os próximos dois anos. Os resultados revelam que a oferta de boiadas deve melhorar no ano que vem, mas que o grosso dos animais disponíveis para abate chegará somente em 2017. O superintendente da Acrimat, Olmir Cividini, conta o estoque para 2016 tende a aumentar, porém, ainda de forma contida, alcançando 3,96 milhões de cabeças, representando um acréscimo de 1,6% em relação a 2015. Já para 2017 a expectativa é que haja um maior estoque de animais aptos ao gancho, ultrapassando 4 milhões de cabeças. O estudo lembra que a partir de 2013 o clima favoreceu a produção de forragem e deu condições para que fatores como reprodução e produtividade fossem determinantes para o bom desempenho dos animais, fatores que devem validar as projeções.

Edição EDIÇÃO 16964




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