ECONOMIA
Quarta-feira, 02 de Maio de 2007, 21h:28
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EFEITO MORLAES
365 dias de incertezas
O recente mercado do gás natural em Mato Grosso contabiliza as ameaças bolivianas da nacionalização
MARIANNA PERES
Da Editoria
O que parecia ser um impasse momentâneo já se arrasta por um ano. A nacionalização da produção e comercialização do petróleo e do gás natural decretada pelo presidente boliviano Evo Morales, no dia 1 de maio do ano passado, trouxe uma gama de incertezas ao Estado e até frustrou planos, já que Mato Grosso é dependente em 100% deste insumo que vem da Bolívia. Neste momento, os bolivianos revisam contratos com as petroleiras e acertam indenizações, mas a calmaria que é a garantia do fornecimento - está longe de ser vista. A crise aberta neste período tirou a rentabilidade e a geração da termoelétrica de Cuiabá por cerca de dois meses seguidos, entre agosto e outubro. A saída temporária da térmica por falta de gás tirou a confiabilidade o sistema energético local e a redução na produção de energia fez com que Cuiabá fosse afetada por dois apagões seguidos. Mesmo sem muita informação sobre o porquê da decisão de Morales, o mercado reage aos fatos. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás (Abegás), há uma redução de 65% no volume de conversões de veículos a gás em abril no Brasil. O crescimento cada vez menor do Gás Natural Veicular (GNV) explica a desaceleração do mercado de gás, que crescia à taxa de 20% ao ano até 2004. Em 2005, o ritmo já foi menor (8%). Em 2006, ficou em apenas 4%. A reação esfriou a procura por orçamentos nas conversoras instaladas em Cuiabá. O presidente da Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), Helny de Paula empresa responsável pela distribuição e comercialização do gás no Estado -, garante que o segmento veicular se mantém em crescimento e que em nenhum momento, nos últimos 365 dias, os veículos convertidos ao gás estiveram na iminência de ficar sem o combustível. Não ficamos sem gás por um único dia, aponta. Mas o proprietário do posto Metropolitano, na Capital, Ranmed Moussa, diz que as seguidas notícias ruins, fizeram o mercado de conversão declinar. Ele lembra que a nacionalização boliviana veio justamente quando o mercado de GNV engatinhava no Estado. Hoje, somos três postos revendedores, se o mercado não tivesse absorvido esta enxurrada de notícias ruins talvez tivéssemos cincos postos em operação. Moussa explica que o investimento de cerca de R$ 700 mil será recuperado em cerca de cinco anos, dentro de um cenário positivo. A impressão que fica é de que todos torcem contra o gás. Todas as más notícias só retardam novos investimentos no segmento, sejam eles de empresários ou mesmo dos motoristas interessados na economia proporcionada pelo GNV, desabafa. O presidente da MT Gás diz que cerca de 3,5 mil veículos estão convertidos e em circulação em Cuiabá e Várzea Grande. Segundo ele, os números estão dentro das expectativas. Não vejo qualquer prejuízo ao segmento, o mercado local flui normalmente. CONVERSÃO - Em outra ponta deste segmento está a Cuiabá Car, que no último mês converteu pouco mais da metade da meta traçada e da capacidade instalada. Em um mês podemos converter até 30 carros, levando em consideração uma média de 22 dias úteis e um carro e meio ao dia. Mas em abril convertemos 20 e em março foram 17, revela o funcionário da Cuiabá Car, Thiago Felipe Zazyki. Ele explica que a procura por orçamento é menor e só converte o motor do carro quem realmente está decido a fazer e tem essa necessidade de reduzir custos. Afinal, além das incertezas no fornecimento do gás, existem mitos relativos à possibilidade de explosão o que não passa de mito - e uma certa falta de conhecimento sobre o motor GNV. Thiago destaca ainda que o nível de informação do cuiabano em relação ao novo combustível aumentou, mas que a atual conjuntura não tem favorecido. Ele destaca ainda que faltam incentivos do Estado para haver o incremento deste mercado. Em outros estados os governos dão incentivo no IPVA, por exemplo. Talvez uma política com este caráter pudesse se sobrepor ao momento {as incertezas geradas pela Bolívia}. Atualmente, a conversão dos motores ao GNV fica entre R$ 2,4 mil motores carburados e cilindro de 7,5 metros cúbicos de capacidade e R$ 4,7 mil, motores com injeção e cilindro grande. CONSUMO Como lembra Helny, o mercado de gás veicular teve início com um consumo mensal de cerca de 50 mil metros cúbicos/mês para 370 mil/mês. O presidente da MT Gás confirmou que o preço do metro cúbico está mantido em R$ 1,49 e não seguirá os reajuste que estão sendo implementados no Brasil. Temos um contrato recente com a Bolívia e por isso não precisamos reajustar preços. Os aumentos estão em vigor desde o último dia 15.