Prefeito pelo PSDB, Wilson Santos chega ao quarto ano de sua administração, reconhece que o grande gargalo de Cuiabá é a infra-estrutura e debita essa situação ao crescimento acelerado. DIÁRIO Qual a transformação de Cuiabá nos últimos 39 anos? WILSON - A existência do DIÁRIO coincide com o período de maior transformação na história de Cuiabá. Nos últimos 39 anos Cuiabá salta de uma população de 95 mil habitantes em 1968 para 520 mil em 2007, sem contar a explosão populacional das cidades vizinhas. Populacionalmente (o município) cresceu um pouco mais de 500% nos últimos 39 anos. É humanamente impossível imaginar o atendimento das exigências e demandas de uma sociedade que se viu do dia para a noite multiplicada em ordem aritmética e não geométrica com a chegada de levas e levas de migrantes. No dia-a-dia a arquitetura da cidade vive em metamorfose. A cidade viveu um choque cultural e nesse momento vive uma transição da velha e bucólica Cuiabá para uma cidade em busca do desenvolvimento sustentável sob o ponto de vista econômico, social e ambiental. DIÁRIO Defina Cuiabá... WILSON Cuiabá não é mais a saudosa Cuiabá, mas ainda não é a cidade que precisa ser, que é uma cidade consolidada, definida. Ainda vivemos a transição. Transformações possivelmente sem precedentes no urbanismo nacional aconteceram em Cuiabá. DIÁRIO Mudou muito, então... WILSON Mudou sim. No aspecto urbanístico a cidade que em 1968 se limitava a 15, 16 bairros hoje tem quase 300. A cidade que tinha a tradição das conversas de roda, das cadeiras de balanço nas calçadas, das resenhas do final de tarde e início de noite hoje não tem mais tempo para cultivar as velhas amizades e dar as gostosas gargalhadas no Bar do Beto e no Sayonara. Houve transformações em todos os setores da cidade, seja cultural, arquitetônico, urbanístico, paisagístico e de comportamento. DIÁRIO Qual o grande gargalo de sua administração? WILSON O grande gargalo é a infra-estrutura. A cidade cresceu muito e sem obedecer um planejamento. Cuiabá trata apenas 23% de seu esgoto, tem 500 km de ruas sem pavimentação, ainda tem deficiência na iluminação pública e há 20 anos não constrói uma grande avenida estruturante. Não há adensamento populacional correto. A periferia é muito pobre. O Centro Histórico é carente e as novas áreas são distantes da principal sentimento da cuiabania que é o sentimento de proximidade e tranqüilidade. (EG)