CIDADES
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 20h:43
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EXPLORAÇÃO INFANTIL
Violência sexual cresce 20% em Cáceres
CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
A exploração e violência sexual de crianças e adolescentes cresceu em Cáceres nos últimos dois anos, a exemplo do resto do país. Mesmo com as ações de combate a este tipo de crime desenvolvidas no município, a constatação desse aumento faz parte do relatório divulgado pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social, o Creas. Os números apresentados pelo Creas, antigo Programa Sentinela, comprovam um aumento de cerca de 20% de casos em relação aos últimos dois anos. De acordo com esses dados, 160 crianças e adolescentes foram vítimas de exploração e violência sexual nos dois últimos anos em Cáceres. Todas essas vítimas recebem orientação, prevenção e assistência social do Creas. Outros 104 adolescentes que praticaram esse tipo de crime estão inseridos no projeto de execução de medidas sócio-educativas, prestando serviços à comunidade. E 23 famílias, vítimas de violência, receberam os benefícios previstos na Lei Maria da Penha e fazem tratamento psicossocial. O juiz da Vara da Infância e Juventude da comarca, Luiz Octávio de Oliveira Sabóia, afirma que o silêncio se configura como o principal estigma deste tipo de crime. Ele enfatiza que o silêncio tem que ser rompido e o crime, denunciado. "Só desta forma iremos conter o avanço deste tipo de crime bárbaro, cuja prática cresce a cada ano". Também a secretária de Ação Social do município, Andrea Carla Antunes Henry, afirma que a situação é alarmante e está presente na sociedade. Para ela, é necessário que todos se unam no combate, tanto o cidadão como os órgãos e clubes de serviço. Andrea Carla lembra que a posição geográfica estratégica do município, numa faixa de fronteira, colabora para o crescimento da exploração e violência sexual. "Aqui, muitos adolescentes e crianças se prostituem por força da necessidade, mas a situação do município favorece o crime". A praça da Feira, localizada na área central da cidade, é apontada no relatório como um dos principais pontos de exploração e prostituição infantil do município, assim como pátios de postos de gasolina, onde caminhoneiros param para pernoitar. Segundo o Creas, as vítimas se submetem a exploração sexual por até R$ 10 por "programa". Um estudo da UNICEF, de maio de 2007, revela que cerca de 270 milhões de crianças e adolescentes são vítimas de várias formas de violência no mundo.