CIDADES
Sábado, 28 de Março de 2009, 13h:59
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EDUCAÇÃO
Vestibular único polemiza opiniões
Projeto nos moldes do Enem será entregue nesta segunda-feira por Haddad a universidades, entre elas a UFMT, com apelo de inovar ensino superior
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
O Ministério da Educação (MEC) apresenta amanhã aos reitores das 55 universidades federais brasileiras, entre elas a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), uma proposta de unificação dos vestibulares. Sob novo formato, semelhante ao do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o vestibular consistiria numa única prova aplicada em todo o território nacional no mesmo dia, conforme informou preliminarmente o ministro Fernando Haddad. Após discussão nas universidades, se aprovadas, as mudanças devem valer para o ingresso de alunos já em 2010. À primeira vista, para os pré-vestibulandos, a mobilidade entre instituições é o grande atrativo assegurado pela proposta, tal qual ocorre com o modelo vigente nos Estados Unidos. Desta forma, o estudante poderia, com uma única nota, candidatar-se a vagas em mais de uma universidade. Por outro lado, conforme o Diário apurou, o novo formato do exame gera controvérsias por parte dos profissionais da educação. Para estudantes como Lucas Salles, de 17 anos e no terceiro ano do Ensino Médio, a proposta convence. Para mim, pelo menos, a mudança é positiva. Ele pretende tentar vagas para o Curso de Formação de Oficiais (CFO) em instituições federais como as de Mato Grosso e a de Mato Grosso do Sul. A opinião favorável é perfeitamente previsível. Atualmente, os estudantes pertencentes a famílias com condições financeiras suficientes promovem um verdadeiro turismo na época das provas entre as cidades que abrigam instituições federais, de olho numa vaga para o ensino superior. Isso não é novidade para ninguém, mas a unificação das datas de provas preocupa parte considerável dos estudantes pré-vestibulandos, como relata o professor de cursinho particular Carlos Roberto Leão. A repercussão da proposta de Haddad em sala de aula já é grande. Esclarecida a proposta, os estudantes se tranqüilizam, diz Leão. A preocupação fica é com os profissionais do Ensino Médio. O argumento do Haddad é interessante, porque o vestibular é extremamente conteudista (o popular decoreba). Entretanto, nos moldes do Enem, que trabalha o desenvolvimento de habilidades e raciocínio, o novo vestibular vai nos obrigar a fazer uma verdadeira reorganização dos currículos. Leão é a favor justamente de um trabalho pedagógico diferente do proposto pelo atual exame, que privilegia a memorização do conteúdo sem necessariamente trabalhar as potencialidades do aluno, como por exemplo, a interpretação. Apesar de igualmente favorável aos moldes do Enem, o coordenador pedagógico do cursinho estadual MT Pré-Vestibular, Sérgio Cintra, prevê que numa provável mudança, será preciso enfrentar o caminho das pedras. Vamos sofrer no início. Ele explica que está consolidado o ensino conteudista e que somente um longo processo faria com que as práticas educacionais em Mato Grosso forçosamente se adaptassem a novos métodos. Já o coordenador-geral do Cuiabá-Vest, Aquiles Leite Nascimento, acrescenta que o estudante acostumado com o decoreba e falta de raciocínio interpretativo encontrará mais dificuldades ainda para pleitear as vagas federais, numa concorrência direta com estudantes como os do eixo Rio-São Paulo, tidos no senso comum como mais preparados.