CIDADES
Segunda-feira, 12 de Março de 2001, 21h:16
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SAÚDE
Vereadores inspecionam Pronto Socorro de Cuiabá
Dos 21 parlamentares da capital, apenas seis participaram da visita
ORLANDO MORAIS
Da Reportagem
Uma comissão de vereadores de Cuiabá foi ontem ao Pronto Socorro Municipal verificar de perto a situação da maior unidade de saúde de Mato Grosso. Os problemas que eles constataram, e que já são antigos atendimento precário, infra-estrutura deficiente, falta de equipamentos e de remédios , deverão servir de argumento para que a Câmara realize, nos próximos dias, uma Audiência Pública para tratar do problema, e para que, num futuro próximo, seja apresentada uma proposta de CPI para investigar o sistema de saúde de Cuiabá. A visita dos vereadores ao Pronto Socorro teve ainda como objetivo mostrar, tanto à sociedade quanto à Prefeitura, que os vereadores estão interessados na questão. Entretanto, dos 21 vereadores de Cuiabá, apenas seis participaram da visita: Verinha Araújo (PT), que é a presidente da Comissão de Educação e Saúde da Câmara, Milton Rodrigues (PMDB), Leve Levi (PSB), Yuri Bastos Jorge (PFL), Enelinda Scala (PT) e o líder da Prefeitura na Câmara, Yênes Magalhães (PSDB). Durante a visita, que foi acompanhada pelo secretário de Saúde de Cuiabá, Luís Soares, os vereadores foram abordados várias vezes por pacientes, familiares de doentes e por funcionários do PSMC. De pacientes, receberam reclamações de mau-atendimento, inclusive o de uma mulher, que estava internada há 13 dias com uma fratura na bacia, e até aquele momento não havia recebido sequer a visita de um ortopedista. De familiares de doentes, ouviram que faltam vagas para internação e que o tempo de espera para se conseguir uma é muito grande. Já os médicos e enfermeiros disseram aos vereadores que só por esses dias receberam o salário de janeiro, que faltam equipamentos para trabalhar e que, porque falta pessoal, trabalham sobrecarregados. O secretário de Saúde admitiu que a situação do PSMC é ruim, mas que muita coisa já foi feita para humanizar o atendimento e melhorar as condições, afirmou Luís Soares. Já fizemos e continuamos fazendo pequenas melhorias, como consertos de portas e pintura das paredes. Mas a prioridade neste momento é regularizar os estoques de remédios para que não faltem. O secretário disse ainda que a Prefeitura vai realizar um concurso público, ainda no primeiro semestre deste ano, para contratar os funcionários que o PSMC está precisando e regularizar a situação dos que trabalham lá apenas com um contrato temporário. HOSPITAL PREFERIDO- Com relação à falta de vagas, Luís Soares afirmou que os pacientes devem procurar um dos doze hospitais contratados pelo SUS: afinal, eles recebem religiosamente em dia para isso, disse. De acordo com o vereador Milton Rodrigues, a Prefeitura vem pagando 60% a mais do que o custo para todos os procedimentos do SUS. Segundo Luís Soares, no entanto, as pessoas preferem ser atendidas no PSMC por três motivos: é o único hospital de Mato Grosso com um Centro de Tratamento de Queimados, tem um excelente serviço de pediatria e tem sempre equipes de plantão para os atendimentos de urgência e emergência, diz ele. Além disso, como faltam médicos e remédios nos postos de saúde, mesmo os pacientes com um simples corte ou um pequena dor de barriga recorrem ao Pronto Socorro. Precisamos cuidar do PSMC, mas precisamos também fortalecer as outras unidades. Entre salários, custeio e investimentos, a Secretaria de Saúde tem cerca de R$ 95 milhões para gastar neste ano. De acordo com os vereadores, atualmente 60% dos recursos da Prefeitura para o setor têm ido para hospitais da rede privada.