CIDADES
Sábado, 27 de Outubro de 2012, 19h:28
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PENITENCIÁRIA CENTRAL
Única médica da unidade diz que abandonará posto
Laura Nabuco
Da Reportagem
Única médica que atua na Penitenciária Central do Estado (PCE), Patrícia Struz Ramos vai deixar o cargo daqui a 49 dias. Atuando no antigo Pascoal Ramos desde janeiro, a médica alega motivação pessoal, mas sustenta que as condições de trabalho são as mais precárias possíveis. O maior problema, segundo ela, é a falta de higiene e a superlotação, que potencializam a transmissão de doenças entre os detentos. A enfermidade mais comum é a tuberculose. Além da falta de estrutura, Patrícia trabalha por um salário abaixo da média que o próprio governo do Estado paga para médicos que atuam em outras áreas, cerca de R$ 3 mil. A carreira não atrai os médicos. É bem mais rentável para eles trabalhar na iniciativa privada, sem falar nos riscos. Por isso que a maioria acaba pedindo exoneração, explica o presidente do Sindicato dos Agentes Prisionais de Mato Grosso, João Batista. O resultado, conforme constatou uma vistoria do Núcleo Criminal da Defensoria Pública, é que, no lugar de cumprir as 40h para qual prestou concurso público, Patrícia atua apenas duas vezes por semana. A jornada reduzida, segundo Batista, foi uma alternativa encontrada para manter o interesse dos médicos pelo cargo. Com uma média de aproximadamente 20 consultas diárias, no entanto, a médica não consegue suprir a demanda de um universo de aproximadamente três mil presos. A solução encontrada para manter a médica na PCE, por sua vez, resultou no aumento de casos de presos que precisam buscar atendimento nas policlínicas da Capital. Isso causa impacto na questão da segurança, porque é preciso deslocar parte do efetivo para acompanhar este detento, reclama Batista. A situação também não agrada médicos, enfermeiros e pacientes que dependem destas unidades de saúde. Médico da Policlínica do Coxipó, Oderlino Godoy afirma que os detentos sempre passam na frente dos demais pacientes sob a justificativa de questão de segurança. Nem mesmo os casos de urgência e emergência têm prioridade em relação aos presos. Alguns chegam aqui realmente debilitados, mas também há muitos malandros que vêm com uma dorzinha aqui outra ali. Como se fosse um pretexto para sair, diz o médico. Apesar da escolta de pelo menos três policiais, o temor de profissionais e pacientes é grande, conforme Godoy. Sabemos que corremos risco. O temor é que algum comparsa deles aproveite para resgatá-los ou que haja alguma situação de violência. Além disso, estes detentos são tratados com medicamentos das próprias policlínicas quando, segundo a médica da PCE, a farmácia da penitenciária é muito bem abastecida. Remédio, por incrível que pareça, é o menor dos problemas. Há postos de saúde por aí que não dispõem do que temos, diz. Por meio da assessoria, a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) afirma que tem conversado com o governo sobre a possibilidade dos médicos que atuam no sistema prisional serem contratados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), solucionando o problema dos salários baixos. A medida, no entanto, depende de diálogo e não tem previsão se será implantada nem quando isto poderá acontecer. Enquanto isso, a pasta aguarda a nomeação de novos médicos para atuar na Capital. Um pedido de seis profissionais foi feito à Secretaria de Estado de Administração (SAD).