CIDADES
Sábado, 21 de Maio de 2011, 13h:40
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CIDADE-SEDE
Uma Copa sem Saúde
Para não dizer estaca-zero, secretário aponta que existem 30% dos recentes idealizados planos para setor, sem verba
Embora tenha se falado recentemente até em bilhões para inúmeros projetos de mobilidade urbana entre Cuiabá e Várzea Grande, o governo do Estado ainda não possui projetos nem previsão de verba específica para a área da saúde durante a realização da Copa de 2014 em Cuiabá. A afirmação, feita em meio ao caos que atualmente se vive no sistema, especialmente em Cuiabá, é do próprio titular da Secretaria de Estado de Saúde (SES), Pedro Henry. Para dar uma noção do atual estágio, o secretário explicou, na última quinta-feira, que, em uma escala de 0 a 100, o Estado se encontra entre 30% e 40% do processo de planejamento das ações voltadas à Saúde contando com o contexto desafiador do evento mundial em três anos. Só recentemente foi designada uma equipe para estruturar os projetos. Desde fevereiro, o que existe de definido dentro do âmbito estadual para a Saúde na Copa são apenas as diretrizes que nortearão a elaboração dos projetos. Elas concentram-se em dois eixos e estão de acordo com o que o Ministério da Saúde tem preconizado em reuniões com a SES, por meio de sua câmara técnica voltada para 2014 (instalada somente há duas semanas). O primeiro eixo trata de grandes ações voltadas às garantias de condições sanitárias ideais no Estado. Superintendente de Vigilância em Saúde da SES, Oberdan Lira exemplifica mencionando controle, monitoramento e programas educativos contra a epidemia de dengue, de forma que o trabalho da SES voltado para o contexto da Copa não se limite ao evento e se transforme num legado. O segundo eixo de ações seria o estruturante, com o objetivo de preparar a atenção à saúde, especialmente para situações graves de saúde pública que possam ocorrer em meio a grandes aglomerações. Henry explica que desta diretriz devem derivar projetos de reforço ao atendimento de urgência e emergência. Não há projeto ainda, mas ele menciona a possibilidade de lançar mão de estruturas móveis, como hospitais de campanha. Henry também prefere não dar certeza sobre a construção de um novo hospital em Cuiabá porque até um projeto como este embora reivindicado há tempos pela categoria médica precisa ainda ser fundamentado nos estudos da SES. O secretário admite que as conversas sobre a Saúde na Copa em Mato Grosso ainda estão muito teóricas e abstratas, mas aponta que a situação local não é muito diferente de outros estados que contarão com cidades-sedes. O próprio governo federal estaria entrando na seara da Saúde após priorizar a questão da estrutura das cidades, como no aspecto da mobilidade urbana, devido à própria natureza mais dispendiosa dessas ações. De qualquer maneira, ele defende que toda e qualquer ação atual do governo está sendo pensada com vistas à 2014 e que vários projetos podem acabar incluídos no pacote da Copa.