Completou ontem um ano do fatídico incidente ocorrido no bairro Jardim das Flores, em Rondonópolis, que vitimou uma criança e deixou outros 11 feridos durante uma simulação de seqüestro com refém feita pela Polícia Militar. O fato ocorreu em frente à Escola Municipal Princesa Isabel, que foi reinaugurada naquele dia, durante um mutirão da prefeitura local. Um ano depois, os moradores contam que a tragédia já foi praticamente esquecida por aqueles que vivem no bairro e não tiveram entre seus parentes e amigos uma vítima. Mas o ocorrido deixou uma marca no local, uma nova identidade para o Jardim das Flores, que agora é lembrado por outros moradores da cidade como o bairro da tragédia, segundo relatou quem lá vive. A tragédia que marcou o dia 26 de maio do ano passado ocorreu em decorrência de um erro cometido por policiais: ao invés de munição de festim, foram usadas balas de verdade nas armas preparadas para a simulação policial. A falha ocasionou a morte do garoto Luiz Henrique Dias Bulhões, de 11 anos, e deixou outros feridos, dos quais dois apresentam seqüelas até hoje e nenhum recebeu indenização pelo Estado. Segundo o procurador geral do Estado, João Virgílio do Nascimento Sobrinho, o governo assumiu a obrigação de indenizar as vítimas da simulação da Polícia Militar. Segundo ele, os processos envolvem danos morais e materiais e, em alguns casos, os valores das indenizações são bastante altos, o que requer uma análise minuciosa dos fatos contidos nos processos e do que é apresentado pela perícia. Ele disse ainda que os processos devem demorar de 5 a 10 anos para terem a sentença julgada.